Eleições 2026
Há anos, quando a Inteligência Artificial ainda era tratada como uma curiosidade tecnológica nos bastidores do poder, eu já aplicava algoritmos e modelos preditivos à complexa engrenagem da comunicação política brasileira. Minha trajetória como pioneiro nessa área não se construiu sobre teorias abstratas, mas sobre a prática acumulada em cases robustos que demonstraram, muito antes da atual febre digital, o poder transformador — e os riscos sistêmicos — dessa tecnologia. Foi justamente essa visão de futuro e a percepção da urgência de um balizamento ético que me levaram a fundar, há pouco mais de três anos, o IRIA — Instituto Brasileiro para a Regulamentação da Inteligência Artificial. O Instituto nasceu como uma expressão concreta de uma preocupação institucional: a de que a inovação não pode atropelar a civilidade.
Hoje, ao ver a recente reportagem da CartaCapital sobre a “profissionalização do submundo digital”, não sinto o impacto da surpresa, mas o peso de um diagnóstico confirmado. O que a imprensa agora expõe como uma novidade sombria é, na verdade, o atestado de óbito da nossa inocência institucional. O que antes era uma ameaça latente, mapeada por nós no IRIA, tornou-se uma indústria estruturada, operando nas sombras para corroer os pilares da nossa democracia. Minha jornada em defesa da integridade eleitoral tem sido uma corrida contra um relógio que não para, e o que testemunhamos agora é a evolução predatória do que chamo de synthfakes e da manipulação algorítmica de alta precisão.










