A primeira coisa que é preciso fazer quando queremos conversar com alguém é atrair a sua atenção. Isso é verdade, mas é curto. Se você quiser que a pessoa continue a conversa, então é preciso algo mais: motivação.

Esta é a explicação simples de por que é que —a meu ver— estamos todos errados na maneira como vemos a comunicação política hoje em dia. A economia da atenção sempre foi importante, mas nos últimos anos a emergência e consolidação das redes sociais fizeram dela o modo dominante, e por vezes quase único, de entender a interseção entre comunicação e política. Nas redes sociais, os textos tendem a ser curtos, os vídeos mais curtos ainda, e o nosso cérebro está habituado a doses constantes de pequenos estímulos para nos manter atentos.

A ascensão dos populistas e demagogos na política internacional, em particular a partir de 2016, com a vitória do Brexit e a primeira eleição de Trump, deu à política baseada na economia da atenção a chancela do sucesso. Passou a ser irrelevante saber se a proposta faz sentido ou não. A única coisa que verdadeiramente conta é quantos cliques, likes e visualizações ela teve.

Isso fez com que mesmo os disparates mais absurdos e os erros mais trágicos pudessem sempre ser desculpados com recurso a essas métricas, e tudo o resto minimizado. O candidato pode ser um idiota e o presidente comportar-se de uma maneira grotesca —desde que tenha talento para captar e manter a atenção de milhões de pessoas.