Os economistas Laura Carvalho e Guilherme Klein publicaram um artigo bem interessante nesta Folha na semana passada, tentando responder basicamente à seguinte pergunta: por que a avaliação do atual governo, Lula 3, é apenas mediana, a despeito do quadro econômico e social amplamente favorável?

Antes de tentar dialogar com o artigo deles, acho que vale a pena trazer alguns números: a chamada "taxa de infelicidade" (somatório da taxa de desemprego e da taxa de inflação) atingiu, nos últimos meses, os menores níveis desde o Plano Real; o percentual da população brasileira vivendo na extrema pobreza é o menor em mais de três décadas (4,8% em 2024, metade do nível pré-pandemia e muito abaixo dos 25% nos anos 1990); o número de mortes violentas vem recuando desde 2018 (a despeito de ainda se situar em nível elevado).

Apesar disso, atualmente, o presidente Lula é aprovado por pouco menos de 50% da população. No fim de seu segundo mandato, em dezembro de 2010, ele era aprovado por cerca de 80% da população. O que explicaria essa aparente dissonância entre economia e popularidade?

Laura e Guilherme elencam diversos elementos para além daqueles que estão mais "na moda" nas últimas semanas (endividamento elevado e níveis de preços de alguns produtos mais essenciais pressionados). Eles sugerem que outros fatores, como a comparação dos eleitores com a ascensão gerada pelo "milagrinho" dos dois primeiros mandatos de Lula e um novo padrão de aspiração de consumo, globalizado e moldado por redes sociais, devem ser considerados.