A pesquisa Genial Quaest divulgada hoje mostra uma melhora da avaliação do governo Lula em relação à última rodada, em abril. As pessoas que aprovam o governo subiram de 43% para 46%, e as que desaprovam caíram de 52% para 49%.PUBLICIDADETambém houve melhora dentro da margem de erro das intenções de voto em eventual segundo turno de Lula contra Flávio Bolsonaro. Em abril, Flávio estava na frente por 42% a 40%. Agora, Lula passou a dianteira, com 42% contra 41%.Certamente esses números são um alento para a campanha de Lula, que recentemente teve que lidar com uma onda de pessimismo sobre as chances do atual presidente, em função da ofensiva de Flávio. Até rumores de que Lula poderia desistir de se candidatar se disseminaram, embora poucos tenham dado crédito a eles.Ricardo Ribeiro, analista político da 4intelligence, destaca na pesquisa da Quaest a melhora da aprovação e da avaliação do governo Lula. Ele nota que quase sempre essa melhora se traduz em aumento das intenções de voto para o candidato incumbente.Ribeiro aponta ainda que essa rodada da Genial Quaest foi a primeira pesquisa de maior visibilidade que mostrou reversão da tendência, que vem desde a virada do ano, de alta de Flávio Bolsonaro - inclusive ultrapassando levemente Lula nas intenções de voto no segundo turno em alguns levantamentos (como a própria Genial Quaest de abril).PublicidadeSegundo Ribeiro, esse resultado de hoje mostra que não se sustenta a ideia de que a derrota de Jorge Messias na votação do Senado sobre sua indicação para o STF havia transformado Lula num "pato manco" e significaria o fim do governo.Na verdade, a melhora na avaliação de Lula vem logo após iniciativas que a própria pesquisa Genial Quaest aponta como positivas para o governo, como o lançamento do Desenrola 2 e o encontro com Donald Trump na Casa Branca.E, embora a pesquisa indique que uma maioria dos brasileiros não sabe do envolvimento de Ciro Nogueira no caso Master, ainda assim este é um fato que afasta o foco do escândalo no Supremo, o que foi prejudicial para Lula."O fato de o caso ter chegado a alguém próximo do bolsonarismo é positivo para o governo", analisa Ribeiro.Mas ele ressalta que a pesquisa Genial Quaest mantém o retrato da eleição presidencial de 2026 como de uma disputa muito apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. O analista acha muito provável que esse quadro de equilíbrio se mantenha até outubro, com leve favoritismo para Lula.PublicidadeEle diz que já julgava que Flávio, que tem elevada rejeição, tivesse chegado a um teto em termos de intenção de voto. Assim, considerava que o candidato oposicionista não continuaria a subir até abrir uma margem considerável sobre Lula.PUBLICIDADEInversamente, Ribeiro não pensa que a recuperação de Lula pode prosseguir até o presidente conseguir uma vantagem grande sobre Flávio Bolsonaro."Descarto uma situação eleitoral para Lula semelhante às de 2006 e 2010, ou uma vantagem confortávele segura na disputa com Flávio Bolsonaro", diz o analista. Assim, como no caso de Flávio, Ribeiro pensa que a popularidade de Lula tem teto, ainda que possa se recuperar um pouco mais na esteira de sucessivas bondades até a eleição.E é justamente a capacidade do governo de tirar da cartola essas bondades que dá a Lula, na visão do analista, ligeiro favoritismo sobre Flávio. Ontem mesmo, ele nota, foram anunciados o pacote da segurança de R$ 11 bilhões e o fim da "taxa das blusinhas". Ribeiro acrescenta que pode vir ainda um programa de financiamento de motocicletas para trabalhadores de aplicativo.Outra vantagem de Lula, segundo Ribeiro, é que, na sua visão, o pêndulo dessa eleição presidencial são eleitores de baixa renda e mulheres, uma fatia do eleitorado que tende a ser apolítica, mas que têm mais pendor para Lula. Adicionalmente, é um público bastante sensível às bondades do governo.PublicidadeO analista discorda da ideia de que ex-tucanos seriam o pêndulo dessa eleição. "Essa turma é insignificante em termos quantitativos", ele opina.Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 13/5/2026, quarta-feira.