O grande ganhador da polarização é o Centrão, que cobra mais caro por seu apoio e tem grande poder no direcionamento de recursos públicos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 14/07/2026 - 19:30 Polarização Política Drena Economia e Fortalece Centrão no Brasil A polarização política no Brasil está impactando negativamente a economia, beneficiando o Centrão, que cobra caro por seu apoio e controla recursos públicos. Eleitores estão desiludidos com a política, desejando superar o antagonismo Lula-Bolsonaro. A polarização dificulta a renovação política, favorece medidas populistas e compromete o orçamento, enquanto o Centrão se fortalece. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Especialistas apontam um grande desânimo na sociedade com as eleições deste ano. Há uma ampla descrença na capacidade da política de fazer os avanços necessários para o desenvolvimento do país. O futuro parece nebuloso. Não é para menos. Caminhamos para mais uma eleição de polarização extremada, mais por interesse da classe política do que pelo desejo da sociedade. Pesquisas de opinião apontam o anseio dos eleitores pela superação do antagonismo Lula-Bolsonaro: a maioria dos eleitores se considera de centro/centro-esquerda/centro-direita (72% segundo o Datafolha); mais da metade acham que Lula não merece mais um mandato; as rejeições a Lula e a Flávio Bolsonaro são de quase a metade dos eleitores, para cada um, o que leva o eleitorado a orientar seu voto mais pela rejeição ao adversário do que pela confiança no seu candidato; e 27% do eleitorado rejeita ambos os candidatos, cifra não muito distante do apoio a Lula e Flávio individualmente, segundo a última pesquisa Nexus-BTG. A triste ironia é que há grandes lideranças estaduais que poderiam ser bons nomes para concorrer para o Executivo federal, mas a polarização dificulta sua viabilidade política. O risco é pouco palatável diante do elevado custo de campanhas nacionais. O funcionamento do sistema político está disfuncional no sentido de não promover a renovação na política. De um lado, os polos extremos alimentam o antagonismo, um dos pilares de sua competitividade eleitoral. Do outro, o Centrão está mais interessado em eleições parlamentares do que em ter candidato próprio para presidente da República. A razão principal está na preservação dos recursos praticamente garantidos, independentemente do chefe do Executivo e sua pauta de governo. Para 2026, as cifras são robustas: R$ 61 bilhões de emendas parlamentares e R$ 5 bilhões de fundo eleitoral. As emendas parlamentares se beneficiam da polarização. Elas cresceram ao longo dos anos com a fraqueza política dos presidentes, e ficaram mais rígidas, comprometendo o Orçamento da União. Não só representam risco à qualidade do gasto público e são janela para a corrupção, mas são também elemento a enfraquecer a República. Não será fácil reverter essa situação. Havia expectativa de que Lula pudesse encolhê-las. Nada disso ocorreu, pelo contrário. A armadilha da polarização tem efeitos deletérios na economia. A fraqueza do presidente alimenta a inclinação para medidas populistas e dificulta o ajuste fiscal. A falta de credibilidade junto à sociedade é combustível para achaques do Congresso. Enquanto isso, a saudável concorrência da política é distorcida, deixando de cumprir um dos seus papéis que é o de a oposição restringir o espaço para o incumbente romper as linhas da responsabilidade fiscal, algo previsto na literatura sobre o assunto. No Brasil, não funciona assim. Partidos de oposição, com frequência, aprovam medidas populistas e votam contra iniciativas de contenção de despesas. Assim, a agenda econômica está fadada a ser modesta, ou mesmo medíocre, quem quer que seja o eleito. Não se vislumbra um cenário de taxa de juros de um dígito tão cedo, e muito menos um caminho para a recuperação da capacidade de investimento estatal. Por esse aspecto, o cenário eleitoral é menos binário do que se imagina, ainda que os desafios de cada candidato tenham suas diferenças: Lula com o desgaste de um segundo mandato e Flávio com a inexperiência e a menor envergadura política, como refletido na própria divisão do campo da direita. De quebra, não está suficientemente clara a convicção de Flávio em relação à necessidade de cortes de despesas, a julgar por sua atuação parlamentar, em linha com a orientação de seu partido (PL): votou contra a PEC da transição, que implicou forte aumento de gastos, mas foi contra o pacote fiscal em dezembro de 2024, a favor de pautas-bomba e defende as emendas parlamentares. O futuro vencedor não terá muito a conquistar diante da grande taxa de rejeição, do aperto orçamentário e de um Congresso mais hostil à contenção de despesas. Inevitável imaginar que a descrença da sociedade só fará crescer pela insistência de PT e PL nas candidaturas. Ao final, o grande ganhador da polarização é o Centrão, que cobra mais caro por seu apoio e tem grande poder no direcionamento de recursos públicos.
Os cães ladram e a caravana passa: como a polarização penaliza a economia
O grande ganhador da polarização é o Centrão, que cobra mais caro por seu apoio e tem grande poder no direcionamento de recursos públicos






