Querida Cármen Lúcia: desculpe-me a intimidade e a falta daquelas bobagens parnasianas e palacianas de "excelentíssimas". Mas somos íntimos por vários motivos.
O primeiro deles é que somos, nós dois, brasileiros (ah, que bom se todos os brasileiros fossem íntimos de todos eles...). E, segundo, somos mineiros. E como mineiros quase da mesma idade, somos várias Cármen Lúcias e vários Mario Albertos, como José Carlos, Silvia Helenas e Antonio Carlos. Você deve ter dançado a valsa no baile das debutantes lá em Montes Claros em 1968 (antes ou depois daquele ato?) como eu dancei a segunda valsa com uma amiga chamada Carmen Lúcia (verdade!). E, em terceiro lugar, moramos no mesmo país, uai!
Pois!
Você é uma pessoa muito querida, Cármen Lúcia. E sabe disto. Como é bom, não é? Ser querida! Pois estou te escrevendo num momento muito difícil. Muitíssimo sério! Simplesmente porque existem dois brasileiros —brasileiros como nós dois— que são odiados, cada um, por metade da população. E essas duas metades se odeiam. E o pior: os dois querem ser presidente do Brasil!
Vou repetir não para você, mas para alguém que, por curiosidade, venha a ler esta humilde cartinha. Repito: existem dois sujeitos que são odiados por metade da população —cada um querendo ser presidente do Brasil, uai.















