O Governo faz um balanço “globalmente positivo” da limpeza de florestas e terrenos após as tempestades do início do ano, mas, quando faltam apenas duas semanas para o início do Verão, admite que a operação “está longe de estar concluída” e que os próximos meses serão decisivos para reduzir o risco de incêndio num território ainda marcado por milhões de árvores derrubadas. Apesar da “extraordinária” mobilização de meios, segundo o ministério da Agricultura e Mar (Magrim), “não existe ainda um valor consolidado da totalidade da área intervencionada”.A depressão que atingiu Portugal no início de 2026 deixou um rasto de destruição particularmente severo na região Centro, com impacto em dezenas de concelhos e a queda de milhões de árvores, criando uma perigosa acumulação de material lenhoso e combustível.Segundo o gabinete de comunicação do ministério da Agricultura, a tempestade Kristin provocou “danos sem precedentes” em vastas áreas florestais da região Centro do país, particularmente em 26 concelhos, gerando “desafios muito exigentes do ponto de vista da circulação, da segurança, da gestão florestal e da prevenção dos incêndios rurais”.Resposta “inédita” e mobilização generalizadaFace a este cenário, o ministério tutelado por José Manuel Fernandes garante ter avançado com uma resposta “rápida e determinada”. “Mobilizámos todos os meios disponíveis no terreno, inclusive de outras regiões do território nacional”, afirma o ministério da Agricultura, sublinhando ainda a criação de “um mecanismo extraordinário de intervenção na propriedade privada”, que permite ao Estado substituir-se aos proprietários em caso de inacção — “algo inédito e que nunca tinha sido feito”.Este instrumento surge num contexto em que a limpeza da floresta em Portugal depende fortemente da iniciativa privada, frequentemente condicionada pela fragmentação da propriedade e por entraves burocráticos.A estratégia foi acompanhada por financiamento público: “Com a criação das Áreas Integradas de Gestão da Paisagem — AIGP 2.0 — alocámos mais de 40 milhões de euros para este efeito”, refere a tutela, em linha com os apoios anunciados para acelerar a remoção de madeira e a limpeza dos terrenos, que podem atingir até 1500 euros por hectare.No terreno, avança o Magrim, “o trabalho está a decorrer em toda a área atingida e de forma coordenada”. “Contamos com uma média diária de cerca de 350 operacionais, apoiados por mais de 80 viaturas e cerca e 13 máquinas de rastos, a que se juntam algumas dezenas de outros equipamentos cedidos por autarquias, forças armadas e outras entidades.” Será suficiente?