O flagelo dos incêndios florestais, que no Verão passado, mais uma vez, devastaram áreas enormes do nosso território e custaram várias vidas, e a recente sucessão de tempestades e consequentes inundações, que além dos estragos materiais causaram várias mortes, foram os sinais de que não podia adiar mais este artigo, que há muito trazia na cabeça.E, para enquadrar o artigo, importa sublinhar desde já que uma floresta equilibrada e adequada é fundamental, não só para diminuir drasticamente o risco e dimensão dos incêndios, mas também o de grandes enxurradas, através de uma superior capacidade de absorção das águas pluviais pelos solos.É preciso encarar a floresta e a sua protecção como um verdadeiro desígnio nacional, não de retórica, para abrir telejornais, mas de facto, com uma mobilização de vontade política, meios, legislação e actuação prática que, de uma vez por todas, ponha cobro a esta devastação, que nas zonas atingidas tem efeitos semelhantes aos de cenários de guerra.Uso a expressão "desígnio nacional", habitualmente muito mal utilizada, não só por corresponder a uma verdade avassaladora, mas também por comparação com eventos que são injustificadamente qualificados como tal, mobilizando vontade política, esforços e meios financeiros desproporcionados à real importância dos mesmos.Um exemplo típico foi o Euro 2004 de futebol, classificado pelos governos da época (PS na candidatura e PPD/PSD-CDS na realização) e pelo próprio Presidente Jorge Sampaio como um “desígnio nacional”, o que sempre considerei ridículo, desde logo pela comparação com campeonatos europeus de outros desportos que se tinham realizado e continuaram a realizar em Portugal (confirmando a frase de um ex-presidente do Comité Olímpico que disse que “em Portugal o desporto é uma ilha rodeada de futebol por todos os lados”), mas também pelo absurdo de considerar um acontecimento limitado no tempo e nas consequências como “desígnio nacional”!