Trabalho análogo à escravidão foi a alegação dos EUA para tarifas 60 países — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 16:12 Tarifas dos EUA por trabalho forçado: tática inteligente ou protecionismo? A aplicação de tarifas por alegações de trabalho forçado não é respaldada pela OMC ou OIT, mas é vista como uma estratégia inteligente dos EUA, segundo Fernando Ribeiro, do Ipea. Ele afirma que essa tática cria dificuldades para países provarem que suas importações são livres de trabalho escravo. Apesar de parecer legítima, a alegação carece de sustentação legal e visa justificar protecionismo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A retaliação por meio de tarifas a países que importem produtos provenientes de trabalho forçado não está prevista nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) nem da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Até porque é praticamente impossível que um país consiga fiscalizar e certificar, em uma nação parceira, a existência de trabalho análogo à escravidão, afirma Fernando Ribeiro, coordenador de Estudos de Comércio Internacional do Ipea. Ribeiro avalia, no entanto, que o governo americano foi inteligente ao utilizar essa alegação, pois cria embaraços para os países, que terão dificuldade em comprovar que 100% de suas importações estão livres de trabalho análogo à escravidão. Mas, por mais legítima que possa parecer a alegação dos Estados Unidos, diz o especialista, ela não tem respaldo legal nem técnico e deve ser interpretada como puro protecionismo. O grande objetivo, afirma, é encontrar uma justificativa para o tarifaço que possa vir a ser aceita pela Justiça americana, que derrubou a taxação global implementada por Donald Trump no ano passado. — É protecionismo e ponto. O governo americano não teve tempo de avaliar tecnicamente as importações de todos esses países para poder fazer essa alegação; a investigação começou em março. Não conheço nenhum país que tenha uma política eficaz nesse sentido. De qualquer forma, os Estados Unidos foram hábeis ao escolher uma justificativa que, a princípio, confere legitimidade à cobrança, apesar de não ter amparo legal. Após a derrubada do tarifaço pela Justiça americana, o governo Trump busca uma justificativa que seja aceitável internamente — ressalta Ribeiro, que também é professor do curso de Relações Internacionais da PUC-Rio. O especialista explica que o maior interessado em controlar a entrada de produtos feitos com o uso de trabalho forçado é o próprio mercado brasileiro. Ribeiro acrescenta que a denúncia de empresas nacionais de concorrentes que adotam essa prática é a forma mais eficaz de controle disponível aos países, pois as reclamações costumam vir acompanhadas de evidências e embasamento. — Mesmo os países que têm legislação de combate ao trabalho análogo à escravidão em seu território e assinam protocolos contra essa prática nos mercados internacionais têm dificuldade para fiscalizar e certificar outros países. Nem os EUA podem garantir que 100% de suas importações estão livres de itens produzidos por trabalho forçado, assim como a própria União Europeia, que dispõe de diversos mecanismos de controle. No fim, trata-se apenas de mais uma forma de tentar implementar a política protecionista de Trump.