Países reagiram nesta quarta-feira (3) à proposta do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre importações de 60 economias. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) justificou a medida como uma forma de combater o comércio de produtos fabricados com trabalho forçado, que, segundo Washington, prejudica o comércio americano. Pequim se opôs a todas as formas de tarifas “unilaterais” e negou acusações de trabalho forçado. “Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso dessa questão como pretexto para manipulação política”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, durante entrevista coletiva regular. Taiwan, por sua vez, disse estar “esperançosa e confiante” de que o resultado final refletirá os acordos já alcançados, garantindo tratamento relativamente preferencial à ilha. A Índia, sujeita à mesma alíquota de 12,5%, informou que continua dialogando com Washington no âmbito do processo conduzido sob a Seção 301 da legislação comercial americana, destacando que as tarifas propostas ainda não são definitivas. O Reino Unido afirmou que mantém conversas regulares com os Estados Unidos e que está adotando medidas para combater o trabalho forçado nas cadeias de suprimento domésticas e globais. “Estamos combatendo o trabalho forçado no Reino Unido e nas cadeias globais de suprimento para garantir que empresas britânicas não sejam cúmplices de trabalho forçado e de violações de direitos humanos”, disse um porta-voz do governo. “Continuamos em contato regular com o governo dos Estados Unidos como parte de nossas negociações e deixamos claras as medidas que estamos adotando”, acrescentou o porta-voz. Ele afirmou ainda que o acesso preferencial concedido às empresas britânicas nos termos dos acordos atualmente em vigor permanece mantido. O presidente Donald Trump discursa no Rockland Community College, na sexta-feira, 22 de maio de 2026, em Suffern, Nova York — Foto: AP/Alex Brandon Já o porta-voz-chefe adjunto da Comissão Europeia, Olof Gill, declarou que a Comissão analisará cuidadosamente as conclusões preliminares da investigação e continuará dialogando com o governo dos Estados Unidos. “Dito isso, a União Europeia considera injustificadas tarifas impostas com esse fundamento”, prosseguiu Gill em comunicado. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu — que aprovou na terça-feira o acordo comercial entre as partes —, disse que as novas tarifas já eram esperadas, mas classificou as conclusões da investigação americana como “completamente absurdas”, dado que a UE aprovou em 2024 uma lei para proibir a importação de produtos feitos com trabalho forçado. “A impressão que surge cada vez mais é a de que primeiro se busca uma medida tarifária e só depois se encontra uma justificativa legal adequada para ela”, afirmou. Ele acrescentou, porém, que a questão central será saber se as tarifas adicionais ultrapassarão aquelas acordadas entre os dois lados em julho do ano passado. A União Europeia, maior parceiro comercial dos Estados Unidos, concordou em julho passado em aceitar tarifas de 15% sobre uma ampla gama de suas exportações. Em seu relatório, o USTR argumentou que as medidas europeias só entrarão plenamente em vigor em dezembro de 2027 e não incluem elementos considerados essenciais. “Sabemos que há altos e baixos no que as pessoas dizem”, declarou o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, a jornalistas após uma reunião de gabinete. “Mas o objetivo é ratificar o acordo comercial e mantê-lo.”