Decisão mais política que econômica: como o governo brasileiro viu o novo tarifaço de TrumpDiplomatas brasileiros dizem, nos bastidores, que governo americano ignorou os argumentos apresentados pelo Brasil nas negociações. Crédito: EstadãoGerando resumoSÃO PAULO, BRUXELAS* E BRASÍLIA - O governo dos Estados Unidos propôs nesta terça-feira, dia 2, uma nova tarifa ao Brasil de 12,5% na investigação comercial aberta sobre o trabalho escravo. A medida também atinge a União Europeia e outros 58 países por causa de suposta “falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”.O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) afirmou que a prática “onera ou restringe” o comércio americano. Para parte dos países, a tarifa foi fixada em 10% (veja lista abaixo).Os presidente Lula e Trump em encontro na Casa Branca no início de maio. Na ocasião, eles discutiram a questão de bens produzidos com trabalho forçado. Foto: Ricardo Stuckert/PRPUBLICIDADEPublicidade“A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em enfrentar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável”, disse o embaixador Greer. “Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais. Não toleraremos mais essa disparidade.”Uma audiência pública para discutir a proposta de tarifa adicional será realizada no dia 7 de julho, em Washington, um dia após a audiência sobre a investigação específica do País. As duas ocorrem com base na Seção 301 da Lei de Comércio Americana.Apenas Argentina, Bangladesh, Camboja, Canadá, El Salvador, Equador, Guatemala, Indonésia, Malásia, México, Paquistão, Reino Unido, Taiwan e União Europeia seriam submetidos à tarifa adicional de 10%; às 46 demais economias, a taxa de 12,5%. Para a indústria têxtil, no entanto, haverá um mecanismo especial a fim de reduzir a tarifa sobre certo volume de importações de vestuário dos EUA, cita o relatório sem especificar a quantidade. O total será calculado com base nos volumes de importação e exportação entre os EUA e certos países.PublicidadeA diferença do percentual da taxação, segundo o USTR, se dá devido à tentativa destas 14 economias de impedir a importação de produtos provenientes do trabalho forçado. Para Greer, as demais falharam na proibição destes bens.Segundo o representante comercial, Canadá, União Europeia, México e Paquistão impõem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado. Argentina, Bangladesh, Camboja, Equador, El Salvador, Guatemala, Indonésia, Malásia e Taiwan assumiram compromissos em seus respectivos Acordos de Comércio Recíproco relativos a proibições à importação de produtos provenientes de trabalho forçado. Equador e Indonésia adotaram as duas providências. O Reino Unido impôs um regime parcial com o efeito de impedir a importação de certos produtos provenientes de trabalho forçado.Todas as demais economias, inclusive o Brasil, “não conseguiram impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado”, destacou o USTR.O Itamaraty, que conduziu as tratativas com o USTR e se manifestou durante a investigação, ainda não se pronunciou. O ministro Mauro Vieira havia defendido que o governo americano se abstivesse de aplicar uma punição. O País enfretou a investigação da Seção 301 com uma denúncia enviada aos EUA de déficit de fiscais do trabalho, como mostrou o Estadão. PublicidadeConfira a lista das 14 economias afetadas pela tarifa de 10%:CONTiNUA APÓS PUBLICIDADEArgentinaBangladeshCambojaCanadáEl SalvadorEquadorGuatemalaIndonésiaMalásiaMéxicoPaquistãoReino UnidoTaiwanUnião Europeia (27 países)Confira a lista das 46 economias afetadas pela tarifa de 12,5%:África do SulArgéliaAngolaArábia SauditaAustráliaBahamasBahreinBrasilCatarCazaquistãoChileChinaColômbiaCoreia do SulCosta RicaEgitoEmirados Árabes UnidosFilipinasGuianaHondurasHong KongÍndiaIraqueIsraelJapãoJordâniaKuwaitLíbiaMarrocosNicaráguaNigériaNoruegaNova ZelândiaOmãPeruRepública DominicanaRússiaSingapuraSri LankaSuíçaTailândiaTrinidad e TobagoTurquiaUruguaiVenezuelaVietnã*O repórter viajou a convite da Delegação Europeia no Brasil