Uma investigação dos Estados Unidos concluiu, nesta terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Segundo o Itamaraty, a expectativa é que as tarifas, se adotadas, serão acumulativas. Segundo o relatório, a prática desses países é "irracional" e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Ken Cedeno O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação: 10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador. 12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros. "A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o embaixador Jamieson Greer. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais." Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. De acordo com o relatório, embora o Brasil assuma compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, o país ainda carece de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno. EUA incluem Brasil em lista de 60 países que falham no combate ao trabalho forçado Portanto, a conduta do Brasil foi classificada como irracional e prejudicial ao comércio norte-americano. O relatório menciona, inclusive, que o Brasil possui uma "Lista Suja", mas o foco da investigação americana é a falha do país em proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado de outras economias. O relatório também detalha estudos de caso setoriais, apontando o risco de trabalho forçado na produção de arroz em Mianmar e de tabaco no Maláui. Além disso, países europeus como Polônia e Espanha são citados como mercados de destino para exportações que concorrem diretamente com os produtos americanos. O representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa após negociações comerciais com a China em Genebra — Foto: Martial Trezzini/Handout via Reuters Próximos passos A medida ainda passará por um período de consulta pública antes de ser implementada. O governo americano receberá comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. No dia seguinte, 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas para discutir as ações propostas. A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir que mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos circulem livremente. As 60 economias mencionadas como foco da investigação são: África do SulArgéliaAngolaArgentinaAustráliaBahamasBahreinBangladeshBrasilCambojaCanadáCatarCazaquistãoChileChinaColômbiaCoreia do SulCosta RicaEgitoEl SalvadorEmirados Árabes UnidosEquadorFilipinasGuatemalaGuianaHondurasHong Kong (Região Administrativa Especial da China)ÍndiaIndonésiaIraqueIsraelJapãoJordâniaKuwaitLíbiaMalásiaMarrocosMéxicoNicaráguaNigériaNoruegaNova ZelândiaOmãPaquistãoPeruReino UnidoRepública DominicanaRússiaArábia SauditaSingapuraSri LankaSuíçaTaiwanTailândiaTrinidad e TobagoTurquia União EuropeiaUruguaiVenezuelaVietnã Lista de isenções A investigação também inclui uma lista de produtos que ficariam de fora da nova tarifa. Produtos como minérios de ferro, alguns tipos de celulose, máquinas de embalagem e determinadas pedras preciosas aparecem entre as exceções da investigação contra o Brasil, mas não na lista ligada ao trabalho forçado. Já a nova investigação inclui isenções para produtos de países que possuem acordos comerciais específicos com os EUA, como o México e o Canadá. Até o momento, o governo americano não explicou por que existem diferenças entre as duas relações de produtos nem esclareceu quais critérios foram usados para definir as exceções em cada caso.