O Brasil não está sozinho nesta nova rodada de tarifas do governo americano. Os Estados Unidos publicaram uma lista de dezenas de países que também poderão ser taxados. O representante do Comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, publicou os resultados preliminares de mais uma investigação sobre práticas de parceiros comerciais e concluiu: “O fracasso dos nossos parceiros mais importantes em combater a importação de produtos fabricados com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma situação em que os trabalhadores americanos são obrigados a competir globalmente em condições desiguais. Não vamos mais tolerar essa disparidade”. Sobre o Brasil, o relatório da investigação afirma que o país "falhou em impor e aplicar, de forma efetiva, uma proibição de importações de produtos feitos com trabalho forçado". O texto diz ainda que "esse fracasso não é razoável e prejudica ou restringe o comércio dos Estados Unidos". Avaliações semelhantes são feitas em relação a dezenas de outros países. O governo americano investigou práticas de 60 economias. Para 12 países, além da União Europeia, propôs uma tarifa de 10%. A lista inclui nações como Canadá, México, Reino Unido, Argentina, mas também Indonésia, Bangladesh e Camboja. Para todos os outros países, a tarifa é de 12,5%. Entre eles, Brasil, China, Japão, Rússia, Índia e Suíça. Segundo o governo americano, os países com a tarifa menor, de 10%, possuem algum tipo de lei ou compromisso em acordos comerciais para proibir importações associadas ao trabalho forçado. Mas o Brasil, ameaçado com a tarifa maior, de 12,5%, já ratificou o protocolo da Organização Internacional do Trabalho para combater o trabalho forçado. E os acordos de livre comércio firmados pelo Brasil e pelo Mercosul, incluindo com Chile e União Europeia, têm compromissos de eliminação dessa violação. O governo americano também afirmou no relatório que a pecuária brasileira utiliza trabalho forçado. Mas isentou a carne do Brasil da tarifa. Assim como cerca de 700 produtos. Entre eles, café, frutas, minerais raros, aviões e peças aeronáuticas. Nova ameaça tarifária contra o Brasil: governo americano afirma que o motivo são falhas no combate ao trabalho forçado — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução Nos dois casos, os setores brasileiros mais atingidos incluem etanol, pescados, açúcar, calçados, madeira e maquinário industrial. Se as duas tarifas forem mesmo implementadas, a sobretaxa total chegará a 37,5%. O número ficaria perto do tarifaço de 2025, de 40%, imposto por decreto do presidente Donald Trump e suspenso durante negociações com o governo brasileiro. Mas, por enquanto, as duas tarifas novas são recomendações de investigações comerciais. O governo americano ainda vai ouvir representantes dos países e setores. Uma audiência sobre a tarifa do trabalho forçado está marcada para o dia 7 de julho, em Washington. LEIA TAMBÉM
Nova ameaça tarifária contra o Brasil: governo americano afirma que o motivo são falhas no combate ao trabalho forçado | G1
Ameaçado com a tarifa de 12,5%, Brasil já ratificou o protocolo da Organização Internacional do Trabalho para combater o trabalho forçado. Brasil está em uma lista com 60 economias e entrou no grupo com as maiores taxas.











