A proposta dos Estados Unidos de impor tarifas de pelo menos 10% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, desencadeou manifestações dos países afetados. A medida representa a maior iniciativa do governo Trump para retomar uma agenda comercial protecionista depois que tarifas anteriores foram anuladas pela Suprema Corte dos EUA. O argumento, desta vez, é que esses países não fizeram o suficiente para coibir a prática de trabalho forçado na produção de itens fabricados localmente ou importados por essas economias. Segundo a proposta do USTR, órgão que cuida do comércio exterior dos EUA no governo de Donald Trump, importações de um grupo de parceiros comerciais que inclui Canadá, México, União Europeia, Taiwan e Reino Unido enfrentariam uma tarifa de 10% após uma investigação conduzida com base na Seção 301, relacionada a produtos supostamente fabricados com trabalho forçado. Produtos provenientes de um outro grupo, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça estariam sujeitos a uma tarifa de 12,5%, de acordo com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos. Suíça rejeita alegações Embora tenha rejeitado as alegações do Representante do Escritório do Comércio dos EUA (USTR), a Suíça afirmou que continua em negociações com os EUA após Washington propor as novas tarifas, acrescentando que as negociações para finalizar um acordo comercial mais amplo seguem em andamento. — A Suíça rejeita veementemente as alegações levantadas nessas investigações — afirmou o porta- voz do Ministério da Economia, falando em nome do governo suíço. — As práticas suíças não prejudicam os fabricantes americanos — ressaltou. Ele acrescentou que o caminho escolhido pelo país será a negociação: — As negociações com os EUA sobre um acordo comercial continuam. A Suíça está levando os acontecimentos atuais em consideração nessas negociações. A Suíça busca um resultado que regule de forma satisfatória as relações econômicas entre os dois países no longo prazo, independentemente dos desenvolvimentos jurídicos e políticos nos EUA. Em uma declaração separada, a Economiesuisse — principal entidade representativa do setor empresarial suíço — também rejeitou as acusações. “Não existe absolutamente nenhuma evidência de que produtos dos EUA tenham de competir na Suíça com mercadorias que contenham insumos derivados de trabalho forçado”, afirmou a organização em um comunicado. “Também não há qualquer evidência de que as cadeias de suprimento suíças estejam sendo utilizadas para direcionar tais produtos ao mercado americano ou para distorcer as condições de concorrência em prejuízo das empresas dos EUA.” Leis contra trabalho escravo, fiscalização e acordos internacionais: Os argumentos do Brasil para evitar nova sanção dos EUA A entidade empresarial também manifestou preocupação com a proposta de que as novas tarifas aplicadas à Suíça sejam mais elevadas do que as impostas à União Europeia, da qual o país não faz parte mas com a qual tem intensa troca comercial. A diferença poderia criar assimetrias competitivas na disputa por consumidores americanos. “A diferenciação proposta entre a Suíça e a UE levaria a um tratamento desigual injustificado”, declarou a organização. União Europeia faz alerta A União Europeia, por sua vez, afirmou que o anúncio das tarifas pode gerar novos atritos entre os Estados Unidos e o bloco europeu, que avançam com a implementação de um acordo comercial firmado no ano passado. — A UE considera injustificadas as tarifas impostas com base nesses argumentos — afirmou o porta-voz do Comércio da UE, Olof Gill, nesta quarta-feira. No Brasil, Lula quer cobrar Trump Lula acrescentou que recorrerá ao presidente Trump para cobrar a continuidade das negociações e que pode procurar outros parceiros comerciais caso os americanos não estejam dispostos a negociar. — Eu nem ia ao G7, mas agora vou— afirmou o presidente. Lula se referiu à reunião das maiores economias do mundo marcada para a segunda quinzena de junho, na França. O Brasil está entre os países externos ao grupo convidados pelo presidente francês, Emanuel Macron, ao lado de outras nações emergentes como Índica, Coreia do Sul e Quênia. China critica Trump, e Japão busca conciliação Mais cedo, Pequim negou as alegações do USTR e criticou a medida de Trump, enquanto uma autoridade em Tóquio afirmou que o Japão mantém contato próximo com seus interlocutores em Washington para discutir o assunto.
Suíça rejeita punição de Trump por trabalho forçado, mas quer diálogo. Veja como outros países reagem ao novo tarifaço dos EUA
União Europeia, por sua vez, afirma que anúncio sobre tarifaço pode gerar novos atritos entre o governo americano e o bloco europeu










