Novas regras na pecuária buscam reduzir o desmatamento no ParáSede da COP-30, Pará é um dos líderes da produção de carne bovina no Brasil. Crédito: Isabel Lima/EstadãoGerando resumoQuase metade das florestas legalmente protegidas do Brasil está dentro de propriedades rurais privadas. Segundo estudo liderado pelo Instituto Arapyaú, instituição filantrópica de desenvolvimento sustentável, 45,2% das áreas florestais conservadas do País pertencem a produtores rurais, evidenciando o papel crescente da iniciativa privada na conservação ambiental e na recuperação de biomas.PUBLICIDADE“Isso (45,2%) significa um terreno igual a um quinto da área do continente europeu”, diz Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú. O Brasil tem 507 milhões de hectares de florestas. Desse total, 475 milhões são legalmente protegidos, sendo 260 milhões de hectares (54,7%) em áreas públicas e 215 (45,2%) em terras privadas, por meio das áreas de Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente (APPs). Há também, além dessas áreas, terrenos usados para silvicultura (produção de celulose, por exemplo) e terras degradadas sendo reflorestadas. “Mesmo no caso da plantação de eucalipto para celulose, parte do terreno precisa ser de mata nativa”, explica Waack.O pivô dessa mudança foi o Código Florestal, em vigor desde 2012. A lei define porcentagem de áreas em propriedades rurais que devem ser protegidas, conforme o bioma ou região. “Isso prova, 14 anos depois, que o Código Florestal deu certo, pelo menos parcialmente”, afirma Beto Veríssimo, cofundador do Imazon, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. Parcialmente, segundo ele, porque a lei ainda é muito desrespeitada, principalmente na Amazônia. PublicidadeO grande trunfo do Código Florestal é que ele mostra ao produtor agrícola que a preservação é financeiramente vantajosa. “Propriedades agrícolas — onde há também mata preservada — são menos expostas aos problemas das mudanças climáticas”, afirma Waack. Consequentemente, são mais produtivas. Também são beneficiadas por uma melhor polinização das lavouras, afirma ele.Leia também‘Agro precisa assumir radicalmente agenda da sustentabilidade’, diz professor da Unicamp Governança ambiental tem de mostrar capacidade de transformar compromissos em práticas efetivasO entorno dessas áreas preservadas ou recuperadas fica no positivo da mesma maneira. “Estradas que passam perto ou entre áreas de floresta também sofrem menos efeitos das mudanças climáticas, como quedas de barreira. As cidades próximas têm menos problemas com abastecimento de água”, explica. Tanto dá dinheiro que, por trás da maior parte dos produtores rurais que fazem essa conservação e reflorestamento, estão grandes fundos de investimentos e bancos, como Pátria, Rabobank, Santander, Gávea, entre outros. “Esse pessoal não entraria nessa jogada se não fosse vantajoso”, declara Waack, que também é conselheiro independente da Marfrig, maior produtora mundial de carne para hambúrguer do mundo, entre outras empresas. Área de Mata Atlântica na Fazenda Belo Horizonte, na Bahia, em 2022 Foto: Divulgação/Re.GreenÁrea de Mata Atlântica na Fazenda Belo Horizonte, na Bahia, em 2026; proprietário da área fez parceria com a Re.Green e recebeu créditos de carbono