É preciso qualificar o debate público para estimular propostas para a conservação da floresta e a valorização desse patrimônio natural Vista aérea da Floresta Amazônica — Foto: Mauro Pimentel/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 17:33 Amazônia: Pilar Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável do Brasil A Amazônia é crucial para qualquer projeto de desenvolvimento nacional, pois sua conservação e valorização são essenciais para a sustentabilidade do país. O debate público deve ser qualificado para gerar propostas eficazes que preservem esse patrimônio natural vital, integrando-o ao desenvolvimento econômico e social. A floresta é um ativo estratégico e indispensável para o futuro do Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Num novo ciclo eleitoral, os temas mais importantes para o futuro do país começam a se consolidar desde a construção das pré-candidaturas, passando pela formulação de plataformas e se estendendo à próxima rodada de políticas públicas. Saúde, segurança e economia devem ditar o debate. São assuntos reais, com problemas que precisam ser encarados. Mas e se isso não for tudo? Não caberia aos aspirantes à liderança do Executivo nacional pautar as prioridades também a partir de um projeto de nação? É aqui que entra um assunto fundamental não apenas para o futuro, mas para o presente do Brasil: a Amazônia. A região não é apenas um tema ambiental, é a casa de 30 milhões de brasileiros e território central para recalcular rotas de desenvolvimento do país. Ocupa 60% das terras brasileiras e responde por 20% da biodiversidade do planeta. O desenvolvimento de suas cadeias socioeconômicas e potencialidades é a condição principal para a produção de conhecimento e riqueza, sem deixar de olhar para as cidades amazônicas, que concentram quase 70% da população da região. É preciso qualificar o debate público para estimular propostas para a conservação da floresta e a valorização desse patrimônio natural enquanto ativo econômico, capaz de criar novas economias e gerar emprego, renda e bem-estar social. Passada a COP30, em Belém, a hora é de colher seus frutos e plantar novas oportunidades. Essa agenda já está em curso. Estudos como “Nova economia da Amazônia”, do WRI, mostram que a floresta já movimenta cerca de R$ 12 bilhões, mas pode alcançar pelo menos R$ 38,6 bilhões até 2050, com a geração de mais de 800 mil empregos. Esse crescimento não depende apenas de ampliar a produção, mas de estimular inovação, tecnologia e cadeias produtivas baseadas na biodiversidade. Restaurar áreas degradadas e desenvolver novos produtos a partir da floresta em pé são elementos centrais dessa transição. Além de gerar valor econômico, essas atividades garantem serviços ecossistêmicos indispensáveis, como regulação do clima e do ciclo das águas, para os quais não existem substitutos viáveis em escala, especialmente para agricultura e pecuária. Soma-se a isso a crescente disputa comercial por terras-raras e minerais críticos, insumos estratégicos para a segurança e a transição energética. Essa é uma agenda quente no debate global e precisa ser tratada com responsabilidade no contexto brasileiro. Estados como o Amazonas estão no mapa dessas reservas, e não podemos deixar que se repita mais um ciclo de desenvolvimento econômico que não coloque a natureza e as pessoas no centro das decisões. Segundo o Datafolha, saúde é o principal problema do país para os brasileiros. Segurança pública e economia completam o trio da dor de cabeça nacional — com que a Amazônia dialoga diretamente. Ela é saúde não só quando a fumaça das queimadas deixa postos lotados, mas também quando o investimento em biotecnologia leva a descobertas de novos medicamentos a partir da floresta. É segurança quando se percebe quanto as redes de crime ambiental e do narcotráfico andam juntas. A floresta também é economia, mesmo que açaí, cacau e guaraná representem apenas parte do potencial de desenvolvimento da região. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos e os custos cada vez mais conhecidos da inação não podem aparecer de forma secundária. Assim como os avanços no combate ao desmatamento no bioma, que caiu 50% entre 2022 e 2025, segundo dados do Inpe. Momentos de transição, como o ciclo eleitoral, exigem escolhas. E a eleição deste ano oferece uma oportunidade concreta: discutir os principais problemas do país e tratar a Amazônia como parte fundamental da resposta. É impossível pensar o Brasil sem ela. *Fernanda Rennó é doutora em planejamento territorial — meio ambiente e paisagem pela Université de Toulouse/UFMG, Joanna Martins é empresária paraense. Ambas dividem a secretaria executiva da rede Uma Concertação pela Amazônia