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A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada a redução da Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do Pará, mas a floresta já vinha sendo atacada havia muito tempo. Na região da BR-163, a rodovia da soja, a ocupação de áreas públicas virou método: abre-se um ramal no meio da mata, derruba-se floresta, queima-se o que resta, coloca-se gado, registra-se a área em cadastros ambientais e espera-se a mudança da lei. Foi o que a Câmara fez mais uma vez.

A Flona do Jamanxim foi criada em 2006, em Novo Progresso (PA), durante o primeiro governo Lula (PT). A unidade nasceu dentro de um pacote ambiental para tentar conter a explosão de grilagem, desmatamento e ocupação desordenada acelerada pelo asfaltamento da BR-163, estrada usada para escoar a soja do norte de Mato Grosso até os portos no rio Tapajós, em Itaituba (PA).

O decreto de criação falava em proteger biodiversidade e recursos hídricos e permitir manejo florestal sustentável. A área original tinha mais de 1,3 milhão de hectares. À época, o governo sabia que a pavimentação da BR-163 valorizaria a terra e atrairia pecuária, madeira, soja, garimpo e especulação fundiária.

Criar áreas protegidas antes da consolidação dessa corrida territorial era uma tentativa de impedir que a floresta fosse rapidamente transformada em pasto e negócio privado. Quando o governo criou a Flona, a ocupação já avançava pela BR-163. Já percorri aquela região algumas vezes como repórter da Repórter Brasil, e é comum encontrar pasto, cercas e bois onde deveria existir floresta.