Setor de Indústria registrou maior saldo positivo de contratações no mês — Foto: Márcio Alves / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 17:27 Setores brasileiros pedem ação do governo contra tarifa de 25% dos EUA Setores brasileiros afetados por uma possível tarifa de 25% dos EUA, como máquinas, móveis e calçados, pedem ao governo negociações para mitigar impactos nas exportações. Entidades como Fiesp e Firjan destacam riscos à competitividade e revisões contratuais. A Abimaq e Abipesca enfatizam diálogo e exclusões específicas, enquanto preocupações com rastreabilidade e exigências legais aumentam. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os setores mais atingidos pela possível tarifa de 25% proposta pelos Estados Unidos reagiram com preocupação à medida e pediram que o governo brasileiro intensifique as negociações para evitar impactos sobre as exportações nacionais. A recomendação divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pode atingir segmentos como máquinas e equipamentos, móveis, produtos de madeira, papel e cartão, calçados, plásticos, ferro fundido e pescados, segundo o MDIC. Embora a proposta ainda esteja em fase de consulta pública, entidades do setor produtivo alertam para os riscos de perda de competitividade, aumento da insegurança comercial e revisão de contratos. Em nota, a Fiesp disse que "acompanha com profunda preocupação" o relatório preliminar da Seção 301, divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A proposta apresentada contém um forte impacto negativo para as relações comerciais bilaterais e na competitividade do Brasil. - A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho- destaca Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em nota. A Firjan lembrou que no dia 6 de julho será realizada uma audiência pública para debater o assunto nos Estados Unidos e abriu um email para que empresas associadas impactadas pela medida enviem solicitações. Já a CNI avalia que "medidas tarifárias dessa natureza não contribuem para o fortalecimento da relação econômica bilateral e podem provocar impactos negativos em cadeias produtivas". A Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) destacou que, embora o setor moveleiro não esteja no centro da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, os móveis de madeira aparecem expressamente no documento do USTR dentro do eixo relacionado ao desmatamento ilegal e à comercialização de produtos de origem florestal. Segundo a entidade, a discussão pode gerar efeitos concretos sobre setores industriais que não estão diretamente envolvidos nos temas políticos que motivaram a investigação. A preocupação se concentra na possível incidência tarifária sobre produtos não contemplados em eventuais exceções, no aumento das exigências de comprovação da origem legal da madeira e na insegurança para negociações com importadores e distribuidores norte-americanos. A entidade ressaltou ainda que a rastreabilidade da matéria-prima ganha relevância adicional diante das exigências já existentes nos Estados Unidos, como as previstas no Lacey Act, legislação que regula a importação de produtos vegetais e derivados de madeira. A associação lembra que, em 2025, os embarques de móveis e colchões somaram US$ 769,3 milhões. Os Estados Unidos responderam por 23,5% desse total, participação que caiu para 16,1% no primeiro trimestre de 2026, refletindo os efeitos das incertezas comerciais e da renegociação de contratos. Máquinas e equipamentos A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que acompanha com atenção a divulgação do relatório preliminar do USTR. Para a entidade, a proposta representa um fator adicional de preocupação para a indústria, embora esteja dentro do intervalo de tarifas entre 20% e 30% que já era considerado pelo setor. A entidade informou que participará da consulta pública aberta pelo governo norte-americano para apresentar argumentos técnicos em defesa da integração produtiva entre os dois países. A Abimaq argumenta que a elevação dos custos de máquinas e equipamentos tende a encarecer investimentos, reduzir a eficiência das cadeias produtivas e afetar negativamente a competitividade econômica. A entidade também defendeu a manutenção do diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano para buscar uma solução negociada. Pescados No setor pesqueiro, a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) adotou um tom cauteloso. A entidade ressaltou que os pescados brasileiros não estão entre os setores diretamente questionados pela investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, mas afirmou que ainda é cedo para avaliar o alcance efetivo das medidas. A associação defendeu que o governo brasileiro esclareça junto às autoridades americanas quais critérios técnicos serão utilizados para definir os produtos sujeitos às novas tarifas e pediu a exclusão dos pescados de qualquer medida restritiva. Além das negociações diplomáticas, a Abipesca pediu que o governo federal inclua o setor exportador de pescados na segunda etapa do Plano Brasil Soberano, com mecanismos de proteção e apoio às cadeias produtivas que possam ser afetadas por eventuais restrições comerciais.
Setores na mira do tarifaço dos EUA pedem negociação e temem perda de competitividade
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