Estudo aponta dados de exportação de máquinas e equipamentos — Foto: Canva RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 18:20 Política é entrave na redução de tarifas dos EUA sobre máquinas brasileiras, diz Abimaq O presidente da Abimaq, José Velloso, vê o fator político como principal obstáculo para a redução da tarifa de 25% proposta pelos EUA sobre máquinas brasileiras. Apesar de avanços no diálogo entre Brasil e EUA, com reuniões recentes entre Lula e Trump, Velloso acredita que razões políticas continuarão prevalecendo sobre argumentos técnicos. O setor busca mostrar que interesses comuns são mais relevantes que divergências políticas, destacando a importância econômica mútua. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Abimaq (Associação brasileira de máquinas e equipamentos), José Velloso, já esperava que o relatório preliminar do USTR, órgão do governo americano, propusesse uma tarifa de 25% para o Brasil. Ele também previa a divulgação de uma lista de exceções para produtos que compõem a inflação americana. Tarifa de 12,5% anunciada ontem pelos EUA se soma aos 25% de segunda-feira, dizem negociadoresTarifa por alegação de trabalho forçado não tem respaldo de OMC ou OIT, afirma especialista - A questão é que máquinas e equipamentos não são bens de consumo, mas bens de capital. Por isso, não entram diretamente no cálculo da inflação. Dessa forma, nenhum produto do nosso setor recebeu exceção e acreditamos que isso também não ocorrerá na lista definitiva. Os setores têm prazo para apresentar suas defesas e participar da consulta pública. Depois haverá uma audiência pública nos Estados Unidos e, até 1º de julho, o USTR deverá encaminhar um relatório ao governo americano recomendando a alíquota final e a lista de exceções. - Nós vamos trabalhar para que o nosso setor fique de fora dessa tarifa. Argumentos nós temos. Um deles é que 82% das nossas exportações para os Estados Unidos são operações intercompany. Ou seja, envolvem empresas brasileiras que investiram nos Estados Unidos ou empresas americanas que investiram no Brasil. Não faz sentido aplicar essa tarifa porque ela pode inibir investimentos nos próprios Estados Unidos. Um segundo argumento é que boa parte do que exportamos são componentes de máquinas que serão montadas em território americano. Além disso, máquinas geram emprego no local onde são utilizadas, seja na indústria, na infraestrutura ou na agricultura. Portanto, também contribuem para a economia americana. Para ele, a situação agora difere da primeira rodada de tarifas porque foram abertos canais de diálogo neste período. - O que melhorou em relação ao primeiro tarifaço é que, naquela época, não havia diálogo. O Brasil foi pego de surpresa e não tinha ocorrido nenhuma conversa entre o presidente Lula e o presidente Trump. Agora a situação é diferente. Houve encontros entre os dois e, no mês passado, uma reunião de cúpula na Casa Branca. Isso fortalece a relação bilateral e é melhor do que o cenário anterior. Além disso, o governo brasileiro vem realizando várias reuniões com os americanos, o que ajuda no processo de negociação. Mesmo com essa melhora no diálogo, ele não mudou sua avaliação e acredita que a recomendação será mantida. Segundo Velloso, a principal razão é política. - Por mais que existam argumentos técnicos sólidos, muitos deles já foram apresentados na audiência pública do ano passado. O trabalho foi feito, mas, mesmo assim, os Estados Unidos continuam sinalizando uma tarifa de 25%, o que mostra o peso do fator político. Agora cabe ao Brasil demonstrar que os interesses comuns entre os dois países são mais relevantes do que as divergências políticas. O Brasil possui ativos estratégicos que interessam aos Estados Unidos, entre eles os minerais críticos, tema que esteve presente nas conversas entre Trump e Lula. Existem argumentos consistentes, mas acredito que a questão política continuará prevalecendo. Vale lembrar também que este ano houve um aumento importante das exportações brasileiras de máquinas. O setor exportava cerca de US$ 13,2 bilhões e, considerando os últimos 12 meses encerrados em março, esse valor chegou a US$ 14,4 bilhões. - Esses US$ 14,4 bilhões não correspondem aos mesmos produtos que deixamos de vender para os Estados Unidos. São outros produtos destinados a outros mercados. Houve forte crescimento das exportações para Singapura, por exemplo. Muitas dessas máquinas seguem para plataformas continentais. Também registramos um aumento significativo das exportações para a Argentina.