O setor têxtil e de confecção brasileiro, base de suprimentos do varejo de moda nacional, reagiu com "muita preocupação" frente à possibilidade de novas barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos. A medida atingiria diretamente nichos de alto valor agregado e ameaçaria a estratégia de internacionalização de marcas brasileiras. Para Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), a medida compromete contratos já negociados e encarece o produto nacional no seu terceiro maior destino de exportação. “A indústria de confecção do Brasil vê com muita preocupação qualquer tarifa adicional sobre as suas vendas para os Estados Unidos, à medida que reduz a competitividade, encarece o produto brasileiro e pode comprometer os contratos a fazer e já negociados”, afirmou o executivo ao Valor. Pimentel destacou que o mercado americano é vital para segmentos como moda praia e moda íntima, e que a sobretaxa traria um risco direto ao nível de ocupação no setor. “Quanto ao emprego, sempre existe o risco, principalmente nas empresas que têm uma forte ênfase na sua produção para o mercado americano. Várias confecções, principalmente de moda praia, têm uma participação relevante do seu faturamento nas vendas para aquele país”, disse. O executivo ressaltou ainda que o Brasil não representa uma ameaça ao mercado americano, mantendo um déficit comercial de US$ 70 milhões com o país no setor têxtil. Pelo lado do varejo, a Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) mantém monitoramento sobre como o bloqueio parcial das exportações afetará a cadeia de fornecedores locais. Segundo Edmundo Lima, diretor executivo da entidade, a competitividade industrial é o que garante a sustentabilidade das prateleiras no Brasil. “O setor varejista entende que a competitividade da indústria nacional é fundamental para o desenvolvimento sustentável da moda brasileira e segue avaliando os efeitos que eventuais mudanças no fluxo comercial podem gerar para fornecedores e compradores”, explicou Lima. Apesar da possibilidade de um redirecionamento da produção exportável para o mercado interno — o que poderia aumentar a oferta nacional —, o varejo descarta uma queda imediata nos preços para o consumidor final. Lima pontuou que a volatilidade externa neutraliza possíveis ganhos. “Oscilações cambiais, custos logísticos e o comportamento dos preços de insumos importados podem gerar pressões que compensam parcialmente eventuais ganhos decorrentes de uma maior oferta doméstica. Por isso, qualquer avaliação sobre impacto líquido nos custos ainda é prematura”, disse o executivo. Enquanto monitoram o cenário externo, as entidades reforçam que a atenção também segue voltada para o mercado interno e a concorrência com plataformas digitais asiáticas, que Pimentel classificou como um sinal "horroroso" para quem produz e gera riqueza no país. Pelo cronograma delineado na nova decisão do United States Trade Representative (USTR) dos EUA, 22 de junho será o prazo para pedir participação em audiência púbica sobre o tema; 1º de julho, para comentários escritos; e 6 de julho, para audiência pública do USTR sobre as tarifas propostas. Após esse processo, o governo americano tomará a decisão final sobre o tema.
Indústria da moda projeta perda de competitividade e risco ao emprego com ‘tarifaço’ dos EUA
Medida atingiria diretamente nichos de alto valor agregado e ameaçaria a estratégia de internacionalização de marcas brasileiras, aponta Abit
Indústria têxtil brasileira enfrenta perda competitiva com tarifas US até 6 de julho, impactando beachwear e moda íntima. Medida compromete supply chain local e empregos, enquanto plataformas e-commerce asiáticas intensificam pressão no mercado.













