Embora seja o único bioma 100% nacional —os outros cinco se espraiam por outros países—, a caatinga é pouco conhecida pelos brasileiros. Estigmatizada pela seca, retratada geralmente com tintas exóticas, é um deslumbre de paisagem.
A luz encandeia. O céu é de um azul acachapante; as nuvens, pela baixa nebulosidade, parecem sempre imóveis. A aridez condensa beleza e tristeza: o leito de um rio seco, cenário tão comum por ali, é tristemente belo.
Mas a caatinga também é a região semiárida mais povoada e biodiversa do planeta. Suas savanas, chapadas, serras e serrotes abrigam milhares de espécies animais e vegetais. Nesse ecossistema se desenvolveu uma literal avis rara, a ararinha-azul, endêmica da caatinga e extinta da natureza, cuja impressionante saga ao longo da história ganhou novo capítulo.
Numa megaoperação liderada pelo ICMBio, 69 ararinhas-azuis de um criadouro particular em Curaçá (BA) foram transferidas para um centro de quarentena em Petrolina, para isolá-las de um surto de circovírus. Apesar de exitosa, a iniciativanão não eliminou as incertezas sobre o futuro da espécie.
Descrita cientificamente pela primeira vez pelo naturalista alemão Spix, a ararinha-azul começou a rarear na natureza nos anos 1970-80, com a captura massiva pelo tráfico de animais. Nos anos 1990, o Brasil soube que havia um único espécime livre. Ele sumiu, e em 2000 a espécie foi considerada extinta da natureza. De lá para cá, tenta-se reintroduzi-la em seu habitat —por ora em vão.














