Com tipos de solo, flora e fauna que não aparecem em nenhum outro lugar do mundo, a Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, além de um dos menos debatidos na comparação com os “irmãos” Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. Ao contrário do imaginário dominante no Sul e no Sudeste, que o associa à seca e ao êxodo de parte da população nordestina, a floresta semiárida concentra quase 30 milhões de habitantes, abriga o maior número de municípios (1.130 no total), além de 1,4 milhão de estabelecimentos da agricultura familiar, 3 mil assentamentos da reforma agrária, 2,4 mil comunidades quilombolas e 42 terras indígenas.

Apesar dos números superlativos, até o início de junho a Caatinga jamais havia merecido uma lei que buscasse organizar a gestão de todo o seu potencial humano e produtivo. Isso mudou na quarta-feira 10, quando o presidente Lula sancionou o Projeto de Lei 1990/24, que institui a Política Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. Com moldes similares à Lei da Mata Atlântica, o projeto tem como objetivos prioritários a recuperação de áreas desmatadas, a ampliação da produção de alimentos, o aumento da segurança hídrica e o estímulo à bioeconomia e ao manejo florestal sustentável. Sua aprovação foi comemorada pelo governo, que lançou o Programa Recaatingar, com um aporte inicial de 60 milhões de reais do BNDES e voltado ao aumento da produção sustentável na região.