O filósofo Edgar Morin, morto nesta sexta (29), aos 104 anos, se consagrou como um dos maiores nomes do pensamento do século 20, agregando diversas ciências e pontas do conhecimento. Autor de cerca de 70 livros, Morin também era muito atuante na vida política do seu país, além de ter promovido diversos debates e palestras pelo mundo, inclusive no Brasil.
Há mais de 30 anos, em entrevista à Folha, Morin já defendia a consciência de uma identidade comum da humanidade como resposta ao clima geral de incerteza do período pós-Guerra Fria. Em outras conversas com o jornal —a última delas sendo em 2019, às vésperas dos seus 98 anos— o filósofo abordou a crise do progresso, a permanência do mal-estar de 1968, o retorno dos nacionalismos, a falência da democracia e o papel da educação frente a essas questões.
Veja a seguir alguns trechos dessas entrevistas, que estão disponíveis na íntegra no acervo e no site do jornal.
Poucos anos após a queda da União Soviética e em meio à criação da União Europeia, Morin já identificava que as incertezas do mundo moderno levavam a sociedade para um possível retorno do nacionalismo e o fortalecimento das religiões.
"A crise atual é a incerteza", disse Morin à Folha em 1993, falando sobre a Comunidade Europeia, mas já identificando uma das principais questões do ainda distante século 21. "Pensávamos que o progresso estava automaticamente garantido pelo desenvolvimento das ciências, da razão, da sociedade. Hoje tudo isso se dissolveu. A tendência nesse clima de incerteza é se voltar para o passado, as raízes étnicas e nacionais."













