Edgar Morin, morto na última sexta-feira, foi um homem marcado pela curiosidade do saber, pela ousadia de pensar o novo e de criar um mundo diferente.
Atraído por muitas questões, foi um homem de muitas facetas. Foi um predecessor em muitas áreas, desde seu primeiro livro, aos 25 anos, em 1946, "O Ano Zero da Alemanha". Com esse trabalho, o sociólogo francês —que escreveria ainda "A Sociologia: Do Microssocial ao Macroplanetário", em 1984—, inaugura o que veio a se chamar a sociologia do presente. Pensamento que, no Brasil, atravessa a obra de Ana Clara Torres Ribeiro e tem celebridades nas ciências sociais como Alain Touraine, Michel Maffesoli, Zygmunt Bauman, Manuel Castells, Richard Sennett, Danilo Martuccelli e Saskia Sassen.
Entender a "complexidade" do humano foi uma de suas paixões, presente em seu segundo livro, "O Homem e a Morte", de 1951. E que continuou dez anos depois no livro "Introdução a uma Política do Homem". Reflexões que só podem ser plenamente compreendidas quando atentamos para o fato de que a sociologia francesa era marcada pelo estruturalismo, no qual o sujeito desaparecia.
Conforme a famosa frase de Claude Lévi-Strauss, as ciências sociais não servem para explicar o homem, mas para dissolver o homem nas estruturas. Ideia partilhada, entre outros, por Jacques Lacan, Louis Althusser e Michel Foucault, na primeira fase. Era o pensamento dominante na época. Morin travou um grande debate em torno do papel do sujeito nas dinâmicas sociais da modernidade, o que trouxe perseguições e inimizades a ele.











