Classificação de facções brasileiras como terroristas pesou nos indicadores nesta sexta-feira. Principal índice da Bolsa igualou desvalorizações consecutivas de 22 anos atrás Painel da B3, a Bolsa de São Paulo — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 17:23 Ibovespa cai por 7 semanas seguidas: maior sequência desde 2004 O Ibovespa caiu pela sétima semana consecutiva, marcando a maior sequência de perdas desde 2004. A desvalorização foi influenciada pela decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas, gerando incertezas no mercado financeiro. Além disso, o conflito no Oriente Médio e o retorno do interesse em inteligência artificial impactaram o índice. A corrida eleitoral também contribuiu para a pressão nos indicadores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ibovespa encerrou, pela sétima semana seguida, em desvalorização. É a maior sequência de perdas desde 2004, quando, entre abril e maio daquele ano, o principal índice da Bolsa também registrou sete semanas seguintes de perdas. A decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas também pesou nos ativos nesta sexta-feira, avaliam analistas. Nesta sexta-feira, o índice voltou ao menor patamar desde 21 de janeiro, aos 173.787 pontos, recuando 0,73%. Na semana, o Ibovespa desvalorizou 1,37% e, no mês de maio, a queda foi de 7,2%. Foi a maior desvalorização mensal desde fevereiro de 2023, quando, naquele mês, o Ibovespa caiu 7,5%. O dólar avançou 0,29% na semana e 1,82% em maio, aos R$ 5,04. Entenda em pontos os fatores para a sequência de perdas tão firme: Decisão dos EUA sobre facções criminosas A decisão tomada ontem pelo governo americano, de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas, contribuiu com parte da queda do índice na sessão desta sexta-feira, na avaliação de Fernando Siqueira, chefe de análise da casa de pesquisa econômica Eleven Research: — Os bancos já atuam sob diversas penalidades possíveis em casos de lavagem de dinheiro. Se for classificado como terrorista, a penalidade é ainda mais severa — ele diz, afirmando que o setor financeiro já possui diversos controles para evitar envolvimentos em eventuais casos de lavagem de dinheiro. A leitura é semelhante a de Bruna Sene, analista da Rico, que viu a definição “gerar incerteza sobre possíveis impactos no sistema financeiro local”. Siqueira pondera, no entanto, que a desvalorização da sessão não foi motivada apenas por este fator, e que a decisão americana, na verdade, impacta em menor peso. Guerra no Oriente Médio A guerra no Oriente Médio, que chega a seu terceiro mês de conflito, enseja a percepção de que os juros globais ficarão mais altos por mais tempo. A visão é de que, como consequência, o crescimento global ficará menor, impactando nos resultados futuros das empresas: — Isso afetou bastante a curva de juros, não só Brasil, como o mundo como um todo. Isso acaba impactando negativamente ativos de risco e, consequentemente, a perspectiva de redução de juros — afirma Rodrigo Santoro Geraldes, superintendente de renda variável da Bradesco Asset Management. Em relatório semanal, Seema Shah, estrategista-chefe global da gestora Principal Asset Management, diz que um “cenário energético mais favorável”, como a reabertura do Estreito de Ormuz, “deve ajudar a reduzir uma das fontes de pressão sobre o crescimento e sobre as expectativas de inflação”, contribuindo com a valorização dos mercados acionários globais. Antes do conflito, agentes estimavam que a taxa de juros dos Estados Unidos poderia sofrer até duas reduções em 2026. Hoje, analistas já preveem até mesmo chances de que ela suba. O PIB do primeiro trimestre, divulgado hoje, foi visto pela Ativa Investimentos como “acima do esperado”, o que reforça a percepção de que o BC deve manter uma postura mais conservadora no ciclo de redução dos juros. Volta do apetite à inteligência artificial O retorno do apetite às empresas de inteligência artificial — deixado um pouco de lado desde o ano passado, mas retomado após meados de abril — também impactou o índice local, que já alcançou os 198 mil pontos há um mês e meio, máxima nominal histórica. Desde lá, o Ibovespa já retrocedeu 12%. — Havia preocupação grande em relação aos investimentos em capex (de IA) e o resultado do primeiro trimestre mostrou que o nível de utilização veio muito forte, acelerando as receitas. E isso reverteu um pouco o fluxo de diversificação (para fora) do mercado americano — disse Santoro, da gestora do Bradesco. Eleições no radar A corrida eleitoral para a presidência no país também impacta, em partes, os indicadores. A perda de competitividade demonstrada em recentes pesquisas eleitorais de Flávio Bolsonaro, que se distanciou do presidente Lula após a divulgação de áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro, também impôs pressão na Bolsa. — Depois das revelações, isso trouxe uma incerteza em relação ao cenário de Eleição, somado a temporada de resultados que foi “morna”, sem grandes surpresas positivas — avalia Santoro, da Bram. O mercado financeiro enxerga uma mudança de governo como mais crível em reduzir o avanço dos gastos públicos e frear a relação entre a dívida pública e o PIB, que vem crescendo a cada ano. Para 2026, instituições estimam que essa relação supere os 80%. Com esse crescimento, o mercado começa a pedir “mais juros” para conseguir financiar a dívida pública, já que as chances do governo não conseguir honrar suas dívidas fica cada vez maior.
Ibovespa cai pela sétima semana seguida, maior sequência de perdas desde 2004
Classificação de facções brasileiras como terroristas pesou nos indicadores nesta sexta-feira. Principal índice da Bolsa igualou desvalorizações consecutivas de 22 anos atrás















