Cada sistema eleitoral carrega suas perversões. A ideia de formar um corpo legislativo a partir das preferências dos cidadãos contabilizadas de forma equânime é intuitivamente simples, mas traz grandes dificuldades operacionais que se tornam desafios para a teoria política.

Vemos isso com clareza hoje nos EUA, que elegem sua Câmara baixa por um sistema distrital. Cada um dos 435 deputados é eleito por um distrito que, a fim de assegurar que todos os votantes tenham a mesma força política, deve idealmente ter um mesmo número de eleitores.

Como se pode imaginar, a margem para distorções está na disposição territorial de cada distrito. Num país com forte segregação habitacional como os EUA, é relativamente fácil controlar o resultado do pleito escolhendo quais cidades e bairros vão compor cada área de escolha.

Locais com mais negros, para citar um único exemplo, tendem a votar mais no Partido Democrata. Políticos sabem com bom nível de detalhe as preferências de cada grupo demográfico.

Dado que a população não apenas cresce como também migra, os distritos não podem ser fixos. Pelo menos a cada dez anos, quando é feito um novo censo, eles precisam ser redesenhados de modo a representar número semelhante de habitantes.