Um juiz dos Estados Unidos recusou nesta quinta-feira uma ação para bloquear uma ordem executiva do presidente americano, Donald Trump, para endurecer as regras sobre a votação por correio. A decisão é uma derrota para os democratas, cujos advogados argumentaram que a medida poderá privar milhões de eleitores do direito ao voto. A decisão ocorre enquanto os republicanos de Trump travam uma disputa apertada para manter o controle das duas casas do Congresso americano nas eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. Trump há anos faz alegações falsas de que a derrota para Joe Biden em 2020 foi resultado de uma fraude eleitoral em larga escala e tem criticado o voto pelo correio. A ordem executiva assinada por Trump em 31 de março determinou que o governo federal compile uma lista de cidadãos americanos confirmados como aptos a votar em cada Estado e utilize dados federais para ajudar autoridades eleitorais estaduais a verificar quem está habilitado a votar. O decreto também determinou que o Serviço Postal dos EUA entregue cédulas apenas a eleitores presentes na lista aprovada de votação pelo correio de cada Estado, além de exigir que os Estados preservem registros relacionados às eleições por cinco anos. Ao rejeitar o pedido dos autores da ação — entre eles o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, de Nova York — para emitir uma liminar suspendendo a medida, o juiz distrital Carl Nichols, de Washington, escreveu que os democratas recorreram à Justiça cedo demais porque o governo ainda não produziu listas de cidadania com falhas e o Serviço Postal ainda não implementou novas regras. “Considerando que a ordem executiva não obriga os autores a fazer nada, e que nenhuma agência ainda agiu de acordo com a ordem de forma que pudesse prejudicá-los, eles não sofreram qualquer dano até o momento”, escreveu Nichols, nomeado por Trump durante seu primeiro mandato. O juiz afirmou que os democratas poderão pedir novamente uma liminar depois que agências federais adotarem medidas para implementar a ordem executiva. Os democratas argumentaram que a ordem viola o direito dos Estados de regulamentar eleições, garantido pela Constituição dos EUA. Representantes do partido afirmaram que a determinação para que agências utilizem dados do Departamento de Segurança Interna e da Administração da Seguridade Social para criar “listas estaduais de cidadania” corre o risco de excluir indevidamente eleitores legalmente registrados, porque as bases de dados podem estar desatualizadas e conter erros. O Departamento de Justiça respondeu que a ação judicial era prematura. Uma coalizão de Estados governados por democratas apresentou processo semelhante contestando a ordem executiva em um tribunal federal de Boston. A juíza distrital Indira Talwani, nomeada pelo ex-presidente democrata Barack Obama, deverá ouvir os argumentos do caso em 2 de junho. Eleitora vota no Shopping West Ridge, em Topeka, no Kansas, nas eleições presidenciais de 2024 — Foto: Charlie Riedel/AP