A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirmou, nesta quinta-feira (28), que o debate sobre o fim da escala 6x1 precisa ser pautado por critérios técnicos, de forma a não comprometer a operação do varejo alimentar e o custo final dos produtos. Durante coletiva de imprensa sobre resultados do setor, o vice-presidente da entidade, Marcio Milan, afirmou que a associação apoia a transição para o modelo de trabalho 5x2, desde que a mudança seja acompanhada de uma modernização nas regras de contratação. Milan expressou preocupação com o atual estágio das discussões no Congresso Nacional, sinalizando que o foco tem se deslocado de uma análise econômica para outras atenções. “Hoje, todo o segmento da economia tem as suas especificidades. Uma única legislação para atender toda a cadeia de abastecimento, do setor leiteiro e de cortes até a indústria e o varejo, é uma das nossas grandes preocupações”, disse o executivo. De acordo com a entidade, o setor supermercadista já enfrenta um desafio estrutural de mão de obra, com mais de 300 mil vagas de emprego atualmente em aberto. Na visão de Milan, a implementação de uma nova jornada sem um período de adaptação ou sem considerar as particularidades de cada elo da cadeia de produção e distribuição pode agravar esse déficit. Proposta de regime horista Como alternativa para viabilizar a mudança, a Abras defende a adoção do "regime horista", que permitiria preencher lacunas de horários e daria mais liberdade para o trabalhador definir sua jornada. “O que nós precisamos é de um modelo mais flexível de contratação, um modelo mais moderno, que amplie a inclusão e não comprometa a capacidade de contratação do setor”, afirmou o vice-presidente. Milan disse ainda que decisões tomadas sem um embasamento técnico e setorial podem elevar os custos operacionais das empresas, com reflexos diretos nas gôndolas. “Isso pode trazer, sim, algum impacto para o consumidor no final”. A associação informou que continuará colaborando com as discussões no Senado por meio do envio de dados, estudos e análises setoriais para buscar uma equação que não prejudique o abastecimento. A importância do tema para a economia nacional é reforçada pelo peso do setor. Atualmente, 93% de todas as vendas de produtos básicos para os lares passam pelos supermercados, consolidando o segmento como um dos maiores empregadores do país.
Supermercados apoiam fim da escala 6x1, mas defendem flexibilizações e debate menos político
Como alternativa para viabilizar a mudança, a Abras defende a adoção do regime horista, que permitiria preencher lacunas de horários e daria mais liberdade para o trabalhador definir sua jornada











