A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da PEC que acaba com a escala 6×1 e estabelece jornada de 40 horas semanais em cinco dias de trabalho, com dois de descanso, caminha para tornar realidade uma demanda que, até pouco tempo atrás, parecia restrita à indignação das redes. O texto foi aprovado em dois turnos: no primeiro, por 472 votos a 22; no segundo, por 461 a 19. Agora, segue para análise do Senado.
Embora já aparecesse em propostas anteriores no Congresso, o tema ganhou tração a partir do movimento Vida Além do Trabalho, criado por Rick Azevedo, um ex-balconista de farmácia que passou a relatar nas redes sociais a rotina extenuante de quem vive sob a escala 6×1. Em 2024, ele se elegeu vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL, com mais de 29 mil votos.
Estimativas do Ministério do Trabalho reunidas pelo Dieese indicam que cerca de 33,2% dos vínculos formais contratados em regime de 44 horas semanais estão sob esse modelo, quase 15 milhões de trabalhadores. No setor de hospitalidade e alimentação, em 2024, 87% dos celetistas tinham jornadas superiores a 40 horas.
Neste setor, Isabela Raposeiras virou uma voz rara: a empresária que defende publicamente o fim da 6×1. Dona do Coffee Lab, casa paulistana de cafés especiais fundada em 2004, ela adotou a escala 4×3 para seus 32 funcionários. “Descansar três dias faz muita diferença”, diz.











