A votação do fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, teve articulação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para evitar distorções ao texto, presença de ministros do governo Luiz Inácio Lula da Silva e vaias ao líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ). O tema da redução de jornada de trabalho é considerado prioritário para a gestão petista e potencial bandeira para ser explorada na campanha à reeleição de Lula neste ano, diante do grande alcance da medida. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada em comissão especial na tarde desta quarta e agora seguirá para votação no plenário da Câmara. Inicialmente, a ideia era que a PEC fosse apreciada na quinta, mas Motta resolveu antecipar a votação para evitar distorções ao texto, segundo dois aliados do presidente da Câmara relataram ao GLOBO. Motta costurou pessoalmente o texto do relatório com o presidente Lula. Isso ocorre num momento em que o deputado busca se aproximar do chefe do Executivo, para tentar amarrar apoio do Planalto para sua reeleição à presidência da Câmara, em 2027, além de apoio do petista à candidatura de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado neste ano. De acordo com um líder próximo de Motta, a ideia de antecipar a votação para esta quarta teve como objetivo inibir movimentos de partidos que pudessem alterar os termos do relatório, acordado por Motta e o governo. Além disso, evita que o plenário fique esvaziado durante a votação — já que, normalmente, parlamentares voltam aos seus estados na quinta-feira pela manhã, votando nos projetos à distância. Entenda a proposta que estabelece o fim da escala 6x1 A PEC prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais em um período de um ano, além da garantia de dois dias de folga por semana sem redução salarial. Pelo texto, a transição começaria 60 dias após a promulgação da PEC, com redução imediata de duas horas na jornada semanal. As outras duas horas seriam reduzidas ao longo dos 12 meses seguintes. Esse aliado de Motta diz que acendeu sinal de preocupação no entorno do parlamentar o anúncio do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), na véspera, de que a bancada — a maior da Câmara— iria se posicionar de forma unânime para aprovar um texto alternativo ao proposto pelo relator, Leo Prates (Republicanos-BA), numa tentativa de constranger governistas e gerar prejuízos eleitorais a Lula. De acordo com um interlocutor de Motta, o presidente da Câmara demonstrou contrariedade com a iniciativa e se queixou da atuação do partido. A avaliação é que, além de fazer gestos ao governo, é importante para o presidente da Câmara abraçar pautas de cunho popular e entregar votações expressivas, após sua autoridade em plenário ser contestada internamente e de ele ter sido alvo de queixas de parte da sociedade civil. O PL apresentou um destaque de preferência (instrumento que prevê que uma proposta seja votada antes de outro projeto concorrente que trata do mesmo assunto) para votar a PEC apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), aliada de Lula, que prevê a redução da jornada de trabalho para a escala 4x3, ou seja, três dias de folga ao trabalhador. A PEC em discussão estabelece a escala 5x2, com dois dias de folga. A iniciativa foi interpretada, nos bastidores, como uma forma de constranger Lula e a esquerda. Após a votação em comissão especial, Sóstenes Cavalcante deixou o local vaiado por militantes de movimentos sociais que acompanhavam a sessão, o que foi minimizado por aliados do parlamentar. Agora, o texto será analisado no plenário da Câmara. Governo vai à Câmara Integrantes do governo Lula compareceram à Câmara nesta quarta para acompanhar a votação da PEC, considerada matéria prioritária para o Palácio do Planalto. Os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e do Trabalho, Luiz Marinho, acompanharam a votação na comissão especial. Domingo, feriado, regimes especiais... Veja os principais pontos da PEC Após a aprovação do tema, Guimarães afirmou à reportagem que há “ampla maioria” para aprovar o texto em plenário e criticou o PL. Ele também minimizou a antecipação da votação para esta quarta, dizendo que “24 horas não faz diferença”. — Vamos debater e aprovar hoje a PEC porque é uma exigência do Brasil. Foi isso que ele (Hugo Motta) sinalizou com o presidente Lula: ir para a comissão especial e votação imediata no plenário. Por isso que vai hoje ao plenário. Temos ampla maioria para aprovar, não nos preocupamos com aqueles, como o PL, que estão contra. Vamos aprovar a matéria porque o Brasil precisa dela— disse. Mais cedo, o presidente do PT, Edinho Silva, e outros integrantes da cúpula do partido almoçaram com a bancada da sigla na Câmara. De acordo com relatos, o tema da escala 6x1 foi discutido, assim como a conjuntura eleitoral. Deputados petistas deixaram o encontro usando camisetas vermelhas e brancas com a frase “fim da escala 6x1”. Como o GLOBO mostrou, grupos ligados ao PT, parlamentares aliados e apoiadores de Lula intensificaram a campanha nas redes sociais para avançar com a proposta na Câmara.
Votação da PEC 6x1 tem articulação de Motta para evitar mudanças no texto, ministros na Câmara e vaias a líder do PL
Ideia de antecipar a votação para esta quarta-feira teve como objetivo inibir movimentos de partidos que pudessem alterar os termos do relatório











