A Federação União-PP atua para dissuadir o PL de apresentar um destaque (sugestão de alteração) para tentar constranger o governo na votação da PEC do fim da escala 6x1, prevista para esta quarta-feira (27) no plenário da Câmara. Os dois partidos do centrão formalizaram apoio ao relatório do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) ao texto, que prevê escala 5x2, sem redução de salário. As legendas classificaram a tentativa do PL de “irresponsável”. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoia a proposta de emenda à Constituição do fim da escala 6x1. Nesta quarta-feira, durante a sessão de votação da proposta na comissão especial da Câmara, o PL apresentou um destaque (sugestão de alteração) para que a nova jornada passasse a ser de 4x3 (quatro dias de trabalho e três de folga). A proposta irritou a base aliada, que viu na iniciativa uma tentativa de tumultuar a sessão e atrasar a votação, já que a oposição vinha se declarando contra a redução da jornada no país. O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), prometeu reapresentar a proposta no plenário. “Eu acho que, neste momento, o que a gente avalia [é que] avançar para a escala 4x3 não é um ato de responsabilidade. Somos a favor da escala 5x2”, disse o líder do PP na Casa, deputado Dr. Luizinho (RJ). “O partido que estava em dúvida, não defendendo a votação, está defendendo 4 por 3. Não tem lógica. Quando a gente sai da lógica e entra na eleição, eles começam a fazer tomada de posição sem lógica. E nós aqui temos responsabilidade com o país”, completou. “A escala 5x2 é o [modelo] mais sensato, mais equilibrado, dá condições pro empregador se organizar”, declarou o líder do União Brasil, deputado Pedro Lucas (MA). "Tenho certeza que os 98 deputados da federação irão se posicionar a favor deste relatório que foi aprovado ainda pouco na comissão", disse. A Federação União-PP – que no ano passado esteve mais próxima da oposição – tem se afastado do PL. No ano passado, os partidos presididos por Antônio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP) anunciaram a saída da base do governo e formalizaram o desembarque em setembro de 2025, determinando a saída de seus filiados de cargos no governo. Com o maior alinhamento ao governo por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no entanto, e com o afastamento da Federação União-PP do PL após atritos relacionado às articulações da chapa do pré-candidato do partido ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), a sigla tem atuado de forma independente, mas mais alinhada ao Executivo. A estratégia do PL na discussão da PEC 6x1 se assemelha à adotada durante outra proposta prioritária do governo Lula, da ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil reais, no ano passado. Depois de trabalhar para que o projeto não fosse votado, o partido mudou de estratégia no plenário e propôs elevar a faixa para R$ 10 mil – opção considerada fiscalmente inviável.