Investigação da PF diz que repasses não seguiram critérios técnicos Agentes da Polícia Federal deixam prédio de Cláudio Castro após operação — Foto: Fabiano Rocha RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/05/2026 - 21:04 Investigação revela esquema de desvio no Rioprevidência para Banco Master A Polícia Federal investiga desvios no Rioprevidência para o Banco Master, revelando um esquema facilitado por "alinhamento político" entre o governador Castro e o banqueiro Vorcaro. Mensagens interceptadas mostram celebração por captação bilionária e preocupação com investigações. A PF aponta gestão fraudulenta e mudanças na cúpula do Rioprevidência, que aplicou R$ 970 milhões e, depois, R$ 2,01 bilhões no banco. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A interceptação de diálogos entre alvos da operação da Polícia Federal que investiga o desvio de recursos do Rioprevidência para o Banco Master revelou o interesse de Daniel Vorcaro, dono do banco, no repasse dos recursos e, posteriormente, o temor dos envolvidos com o avanço das investigações. De acordo com a representação da Polícia Federal apresentada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), as tratativas viabilizaram a captação de bilhões em aportes no Master. Os investigadores destacaram que as decisões não respeitavam critérios técnicos e foram motivados pela relação pessoal entre o banqueiro e autoridades do Rio. Em uma das mensagens direcionadas a Vorcaro, o investigado Ricardo Siqueira Rodrigues, descrito pela PF como lobista, articulador e principal captador de recursos, celebrou o volume das operações realizadas: "Daniel, quero deixar registrado aqui meu agradecimento a toda a equipe q vc disponibilizou desde novembro. Atingimos a meta estabelecida em apenas 45 dias, o banco foi o segundo maior captador de LF (letra financeira) nesse período e temos um pipeline para o primeiro semestre já em reta final de mais de bilhão." Em outro episódio narrado nos autos, o então diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, enviou a cotação de uma instituição financeira concorrente diretamente a um captador do Banco Master. O diálogo, afirma a PF, repassava a mensagem de que "Estão indo pra cima do RJ". Para a corporação, foi uma tentativa de gerar um alerta no banco de Vorcaro. A investigação sustenta que a conduta integra um "almanaque de irregularidades" e reforça a suspeita de gestão fraudulenta por parte da autarquia. A Polícia Federal reconstruiu a cronologia do suposto esquema, apontando que a alta cúpula do Rioprevidência foi alterada em um período imediatamente anterior ao início da série de investimentos. Os novos gestores nomeados teriam passado a atuar em "desconformidade" com a política conservadora até então adotada pela entidade. Os relatórios mostram que os aportes ocorreram em duas frentes: entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, para contornar entraves regulatórios, foram aportados R$ 2,01 bilhões em fundos estruturados pelo mesmo grupo.