Alvo de busca e apreensão Polícia Federal nesta terça-feira (26), no âmbito da Operação Compliance Zero, a corretora Planner divulgou nota oficial em que nega qualquer irregularidade na intermediação de investimentos do Rioprevidência, fundação dos servidores estaduais do Rio, no Master. Agentes da PF estiveram no escritório da corretora no Centro do Rio para busca e apreensão, mas a PF não divulgou o que foi apreendido. A empresa diz que, dos R$ 3,6 bilhões que, conforme a investigação, foram aplicados no banco, “atuou exclusivamente na intermediação de aproximadamente R$ 500 milhões.” Além disso, garante que seu credenciamento na fundação foi regular e que, inclusive, foi renovado para este ano. Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou operação da PF contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e ex-dirigentes do Rioprevidência nesta terça-feira, a Planner entrou no esquema em fevereiro de 2024 para ser usada como meio de pagamento aos operadores das irregularidades e como álibi, servindo como anteparo formal. O credenciamento tanto do Master e quanto da corretora foi feito com base em atestado fraudulento, de acordo com as descobertas da PF. “A investigação aponta a criação de um mecanismo adicional de intermediação que, em tese, servia tanto de anteparo formal às irregularidades quanto de veículo para ampliação das taxas de corretagem e retribuição financeira aos operadores do esquema”, diz o texto. Ainda segundo a decisão de Mendonça, a primeira operação intermediada pela Planner, em 16 de fevereiro de 2024, teria ocorrido sem qualquer registro que justificasse a opção pela intermediadora. O ministro questiona ainda a ausência de documentos comparativos que demonstrassem vantagem econômica na contratação da Planner, já que o Rioprevidência já tinha canal direto com o Master. “As empresas Mídias Promotora Ltda. e Planner Corretora de Valores S.A., por sua vez, atuaram como operacionalizadoras da estrutura ilícita”, diz Mendonça. A Mídias Promotora é de propriedade do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, que foi delator na operação Lava-Jato e investigado por lavagem de dinheiro e organização criminosa em uma esquema de desvios em fundos de pensão. Conforme as investigações do Master, Siqueira é apontado como ponte entre Daniel Vorcaro, dono do banco, e as autoridades responsáveis por fundações estaduais previdenciárias. Segundo a nota oficial da Planner, “as operações foram realizadas no primeiro semestre de 2024, em estrita observância às normas aplicáveis, aos limites operacionais vigentes e aos procedimentos regularmente adotados pelo mercado, sem qualquer apontamento, restrição ou questionamento por parte de órgãos reguladores ou entidades autorreguladoras.” A corretora destaca ainda que o Rioprevidência definiu a estratégia e selecionou os ativos sozinho e que disponibilizou integralmente toda a documentação relacionada às operações às autoridades. “A Planner não participou da análise, recomendação ou decisão de investimento, tendo sua atuação se limitado à intermediação operacional das transações.”