PUBLICIDADE Ex-gerente de investimentos do órgão estadual, Fernanda Pereira empregou amigo do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como intermediário entre Vorcaro e Cláudio Castro Agência central do Rioprevidência fechada durante primeira fase da operação da PF sobre aportes do fundo de pensão no Banco Master, em 23 de janeiro — Foto: Márcia Foletto/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 20:12 Ex-gerente do Rioprevidência é alvo de investigação da PF por fraude de R$ 60 milhões A advogada Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente do Rioprevidência, é alvo da PF por alocar R$ 60 milhões de um fundo em papéis do Banco Master. Ela nomeou como assessor Jayme Alves, ex-companheiro de cela de um lobista envolvido na Lava-Jato. A defesa alega que Fernanda não teve decisão sobre os investimentos. O caso envolve suspeitas de fraudes e conexões com figuras investigadas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Alvo de operação da Polícia Federal (PF) que também atingiu o ex-governador Cláudio Castro (PL) na terça-feira, a advogada Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de investimentos do Rioprevidência, foi responsável por alocar R$ 60 milhões de outro fundo de pensão, do município de Itaguaí (RJ), em papéis do Banco Master. Quando presidiu o fundo de Itaguaí, Fernanda nomeou como seu assessor um antigo companheiro de cela do empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado pela PF como "lobista" do Master. A investigação afirma que os aportes de institutos de previdência no banco de Daniel Vorcaro foram intermediados por Rodrigues, que chegou a ser preso na Lava-Jato em 2018 e virou delator à época. Fernanda atuou no credenciamento do Master pelo Rioprevidência, em 2023, o que tornou o banco apto a receber recursos do instituto estadual. Em junho de 2024, ela deixou o Rioprevidência para assumir o comando do fundo de previdência de Itaguaí e, cinco dias depois, nomeou como assessor da presidência o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho. O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues dividiu cela com outro alvo da Lava-Jato em 2018, posteriormente nomeado por Fernanda Pereira como assessor em fundo de previdência — Foto: Montagem com fotos de reprodução e redes sociais Jayme foi alvo da Lava-Jato, em 2015, sob acusação de ser operador financeiro do doleiro Alberto Youssef. Ele foi condenado a 11 anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Em 2018, quando estava no presídio de Bangu 8, Jayme dividiu cela com Rodrigues, que anos depois se tornaria intermediário da relação entre Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro, de acordo com a PF. A relação com Jayme foi exposta pelo próprio Rodrigues em petição ao Superior Tribunal de Justiça. Na ocasião, Rodrigues relatou ter sido alvo de abordagem indevida do advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho, e disse que "ao retornar à cela, seu desconforto" com a abordagem de Nythalmar "foi percebido pelo detento Jayme Alves de Oliveira Filho, de quem se tornara amigo". Rodrigues afirmou ainda que Jayme o aconselhou na ocasião sobre como proceder. Antes da nomeação de Jayme no fundo de previdência de Itaguaí, Fernanda também havia atuado informalmente como advogada de Rodrigues em questões relativas à Lava-Jato. No ano passado, quando foi questionada pela primeira vez pelo GLOBO sobre a nomeação de Jayme, Fernanda afirmou à reportagem que "não havia qualquer impedimento jurídico que o desqualificasse para o exercício do cargo", e que a "a nomeação observou estritamente a legalidade e também um compromisso ético e humano: não perpetuar a exclusão de quem está reconstruindo sua vida de forma honesta e responsável". Nesta quarta-feira, procurada novamente pela reportagem, a defesa de Fernanda afirmou que ela "não teve qualquer ato decisório" na contratação de investimentos no banco Master, e que "não houve ingerência na decisão de fechar a aquisição de títulos" do banco. A defesa afirmou ainda, no caso dos aportes do fundo de Itaguaí no Master, que houve "seis meses depois o resgate de valores com pagamento do juro combinado", e disse desconhecer a relação entre ela e o empresário Ricardo Rodrigues. Deivis, que também já foi alvo de investigações por supostos prejuízos ao Refer na contratação de escritórios de advocacia e de contabilidade, nomeou Fernanda como gerente de investimentos do Rioprevidência em 2023, logo após assumir o comando do órgão estadual. Ele está preso desde fevereiro deste ano, devido às suspeitas de irregularidades envolvendo a aplicação de recursos no Master.