PF investiga se Vorcaro usou relações com Cláudio Castro para obter recursos do RioprevidênciaInvestigação detectou que aportes do fundo de previdência em investimentos ligados ao Master era maior do que o identificado inicialmente. Crédito: EstadãoGerando resumoBRASÍLIA - O banqueiro Daniel Vorcaro enviou orientações à equipe do Rioprevidência sobre como responder a questionamentos enviados por um repórter do Estadão/Broadcast a respeito dos aportes do fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro em letras financeiras, afirma a Polícia Federal. O dono do Master se irritou com a resposta que foi preparada pelo fundo, mandou refazer e escrever pouco para não dar “munição” ao repórter. PUBLICIDADEProcurados, a defesa de Vorcaro e o Rio Previdência não se manifestaram.PublicidadeFundo de pensão do Rio investiu quase R$ 1 bi em papéis do Master que não são cobertos pelo FGC Foto: Rafael Henrique/Adobe StockEm 5 de agosto de 2024, Vorcaro recebeu mensagem de um funcionário do Master, Fernando Góes de Mascarenhas, tratando do assunto. Mascarenhas encaminhou ao banqueiro o texto de um e-mail enviado à assessoria do Rioprevidência pelo repórter do Estadão/Broascast Gabriel Baldocchi. “Alguma orientação?”, perguntou a Vorcaro.No e-mail, o repórter perguntou por que o Rioprevidência decidiu investir em letras financeiras, qual o valor total investido e quanto isso representava da carteira de investimentos do fundo de previdência, entre outras perguntas.Na conversa com seu funcionário, Vorcaro demonstra preocupação com o tema. “Existe sigilo né. Eles não podem abrir essa info (informação). E eles têm outras letras além da nossa, correto?”, escreveu. Após algumas trocas de mensagens, Vorcaro dá uma orientação sobre a resposta. “Acho que tem que responder curto dixendo (sic) que lfs (letras financeiras) são títulos de mercado que fazem parte do portfólio. Que não podem abrir por sigilo os investimentos”, escreveu.Leia maisCaso Master: O que levou à exoneração do gestor do Rioprevidência após investimento no bancoCaso Master: Fundos de pensão de servidores de Estados e municípios podem perder quase R$ 2 biCláudio Castro é alvo da PF em operação sobre aportes do Rioprevidência no MasterAlgum tempo depois, Mascarenhas encaminha a Vorcaro a resposta elaborada pelo fundo de pensão para o repórter. No documento, o Rioprevidência apresentou a fundamentação jurídica usada para justificar as aplicações em letras financeiras e as previsões de rentabilidade, mas não deu detalhes sobre os destinatários dos investimentos.PublicidadeAinda assim, Vorcaro se irritou. “Não pode ser assim!!!! Pra jornal tem que escrever pouco. Isso aí vai fazer eles fazerem 10 matérias. Tá dando munição gigantesca”, afirmou ao subordinado. Na sequência, eles se falaram por meio de uma ligação de WhatsApp; então, não é possível saber qual foi o desfecho da conversa.‘Influência sobre o Rioprevidência’Após apresentar essas informações, a PF destacou a influência de Vorcaro na resposta. “De acordo com a supramencionada interlocução entre FERNANDO DE GOES e DANIEL BUENO VORCARO, infere-se que o banqueiro possui influência sobre o RioPrevidência, declarando até como deve ser a resposta da autarquia às perguntas formuladas pelo jornalista”, diz o relatório.O RioPrevidência mandou à reportagem uma justificativa sobre a aplicação em letras financeiras, mas não respondeu à questão central se os aportes dos recursos do fundo foram feitos em papeis do Master.Baldocchi publicou, no dia 11 de agosto de 2024, três reportagens sobre o tema, em parceria com a repórter Cynthia Decloedt. A primeira mostrava que o Master vinha reestruturando seus negócios após um aperto do Banco Central em 2023 que acertou em cheio pilares de sua expansão exponencial nos anos anteriores: uma carteira de crédito com grande peso de precatórios e captações feitas essencialmente por meio de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) distribuídos a pessoas físicas com cobertura do FGC. PublicidadePUBLICIDADEA segunda matéria, intitulada “Em esforço de diversificação, banco já é o 3º entre aplicações de fundos de pensão”, apontava que o instituto de previdência dos servidores do Rio carregava em sua carteira 83% das letras do Master vendidas a regimes próprios de previdência.Em um terceiro texto, Vorcaro afirmou à reportagem que o banco tinha um modelo único no consignado, com benefícios atrelados ao cartão oferecido aos servidores públicos. “Não entramos no rouba monte dos bancos”, afirmou à época ao Estadão/Broadcast. Quatro meses depois, o repórter publicou que técnicos do Tribunal de Contas do Rio haviam apontado indícios indícios de irregularidades em aplicações pelo Rioprevidência em títulos do Master, que já totalizavam R$ 970 milhões - cerca de 8% do patrimônio da entidade.Em novembro de 2025, após o Banco Central decretar a liquidação do Master, o Ministério da Previdência divulgou que 18 fundos de pensão de servidores públicos fizeram investimentos que somam quase R$ 2 bilhões em papéis do banco. PublicidadeDiferentemente dos investidores que compraram CDBs e foram ressarcidos pelo FGC, os aportes feitos por entidades de Previdência de Estados e municípios - em letras financeiras, sem garantia do fundo - estão expostos à liquidação do banco e correm risco de perdas.
Vorcaro orientou resposta do Rioprevidência a perguntas do Estadão, diz PF: ‘Tem que escrever pouco’
Fundo de pensão do Rio investiu quase R$ 1 bi em papéis do Master que não são cobertos pelo FGC e pediu orientação ao banqueiro sobre como deveria responder à reportagem; defesa de Vorcaro e Rioprevidência não se manifestaram










