Segundo a PF, houve uma “alteração estratégica” na direção do Rioprevidência “em momento imediatamente anterior ao início dos aportes”. Para os investigadores, as trocas permitiram o “credenciamento célere do Banco Master”, aplicações sem análise técnica estruturada e descumprimento de regras. Cláudio Castro e Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução ‘Nomeações estratégicas’ A investigação mira investimentos feitos com recursos do Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores do estado. Entre outubro de 2023 e julho de 2024, segundo a PF, o Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Depois, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram direcionados para fundos estruturados ligados ao mesmo grupo econômico. De acordo com a decisão, os investigadores suspeitam que os novos produtos tenham sido usados para “contornar restrições regulatórias” surgidas após os primeiros aportes. Segundo a PF, a relação entre Castro e Vorcaro teria viabilizado “a nomeação estratégica de dirigentes do Rioprevidência em cargos-chave”. A PF afirma que as mudanças no comando do Rioprevidência colocaram em posições estratégicas dirigentes alinhados à liberação dos investimentos. A decisão cita nominalmente: Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente;Eucherio Lerner Rodrigues, diretor de Investimentos;Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de Investimentos e Operações;Fernanda Pereira da Silva Machado, responsável pelo Controle Interno e Auditoria. Segundo a decisão, esses gestores passaram a atuar “em desconformidade com a política de investimentos, com a legislação de regência e com os deveres fiduciários mínimos de prudência, diligência e motivação técnica”. O relatório também menciona mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicando que determinados aportes dependeriam de “alinhamento político” com o então governador. A decisão ainda destaca o que chamou de “sincronismo” entre encontros de Castro e Vorcaro e os investimentos subsequentes do Rioprevidência. Segundo o texto, a PF identificou encontros pessoais, “aproximação política” e “rearranjos administrativos” no fundo previdenciário paralelamente aos aportes bilionários. Os investigadores também afirmam que a relação entre Castro e Vorcaro “não se limitou a contatos institucionais”. A decisão menciona encontros frequentes, reuniões em ambientes privados, viagens ao exterior e despesas custeadas por Vorcaro. A PF afirma ainda que os aportes continuaram mesmo após alertas formais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), pareceres técnicos desfavoráveis e restrições regulatórias. O ministro André Mendonça afirmou haver “robusto conjunto de elementos indiciários” apontando irregularidades na condução dos investimentos. Na síntese da hipótese investigativa, a decisão afirma: “A motivação central dessas decisões não residiria em critérios técnicos regulares de investimento, mas em relação pessoal e indevida entre o controlador do Banco Master e autoridades com poder de mando” sobre o Rioprevidência. O advogado Carlo Luchione, que faz a defesa de Castro, informou que o ex-governador acompanhou as buscas “com serenidade”. Ele afirmou ver uma possível motivação política na nova operação. “Eu vejo isso tudo nesse momento aí que nós estamos passando de eleições. Eu vejo que é possível que seja”, afirmou. Em seguida, ponderou: “Isso é uma opinião minha, não é uma opinião que eu possa hoje confirmar”. Operação contra Cláudio Castro no Rio — Foto: Reprodução
Cláudio Castro mudou Rioprevidência para investir R$ 3,6 bi no Master | G1
Investigação da PF indica que Cláudio Castro alterou a cúpula da Rioprevidência para facilitar aportes de R$ 3,6 bilhões em produtos financeiros do Banco Master.












