Pesquisa reforça peso do endividamento e do debate do fim da escala 6x1 para Lula na eleiçãoDados da importância dos temas na decisão de voto e na avaliação de governo justificam pressa do Planalto para tratar dos temas às vésperas da disputa eleitoral. Crédito: Ricardo CorrêaGerando resumoBRASÍLIA - Sob pressão do calendário eleitoral, senadores avaliam que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não deve travar a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e acaba com a escala 6x1.PUBLICIDADEA eleição de outubro coloca em disputa dois terços das vagas do Senado, e a PEC, bandeira do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição, deve ser usada como trunfo por parlamentares em busca de um novo mandato na Casa legislativa. Apesar disso, a discussão em curso na Câmara gerou reações de senadores, que divergem sobre a transição acertada entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e veem um debate açodado na Casa vizinha.Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), durante sessão da Casa legislativa Foto: Wilton Júnior/EstadãoPelo acordo feito entre ambos, haveria uma redução de duas da jornada de trabalho, para 42 horas, 60 dias após a promulgação da PEC. Doze meses depois, a jornada cairia mais duas horas, para 40 horas semanais.PublicidadeO ponto não está pacificado entre senadores ouvidos pelo Estadão. De um lado estão aliados de Lula que avaliam que não seria necessário adotar nenhum tipo de escalonamento para a redução da jornada. É o caso do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que afirmou nesta terça-feira, 26, ser contra qualquer transição. Ele disse que sempre que há uma discussão que beneficie a população são usados argumentos alarmistas. Leia maisFim da 6x1: Após reunião com Alcolumbre, entidades produtivas defendem adiar PEC e criticam CâmaraFim da 6x1: para entidades, proposta pode inviabilizar sobrevivência de empresas menoresFim da escala 6x1: Veja o que pode mudar para os trabalhadores se a redução de jornada for aprovada“Você lembra o trabalho que nós tivemos para tirar o Imposto de Renda zero da Câmara”, ressaltou, em referência ao projeto que isentou do pagamento de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais. “O relator lá na Câmara (deputado Arthur Lira, adversário de Renan em Alagoas) só falava em trocar fontes, em fazer transição, era o mesmo discurso”, continuou. “Toda vez tem isso. Quando eu aprovei aqui a PEC das Domésticas, estendendo os direitos às domésticas, ia quebrar também o País. Agora vai quebrar o País. O Imposto de Renda Zero ia quebrar o País”, concluiu. Para Renan, há espaço para votar a proposta neste ano no Senado. PublicidadeO senador Otto Alencar (PSD-BA) também defendeu que a PEC não tenha transição. “Muitas empresas já estão prontas para essa mudança. Isso tem um impacto direto na vida do trabalhador”, afirmou o senador, que lembrou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a qual preside, já votou uma proposta do senador Paulo Paim (PT-RS) que trata do mesmo tema. Na avaliação de Otto, a PEC precisa ser votada neste ano. “Vou fazer um apelo no plenário para que não se deixe de votar”, afirmou.‘O País vai fechar domingo?’, questiona DamaresA senadora Damares Alves (Republicanos-DF), por sua vez, manifestou preocupação com o impacto da mudança nas escalas de trabalho de funcionários do comércio. “Como é que fica shopping center no domingo? Padaria não vai funcionar? O País vai fechar domingo?”, questionou.O texto do relator na Câmara, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), fala em dois dias de descanso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos. PublicidadeDamares vê ainda uma discussão açodada e eleitoreira. “Por que a discussão não está sendo presencial? Uma matéria importante, de interesse de toda a sociedade, tanto dos empregados quanto dos trabalhadores não deveria ser discutida de uma forma corrida como está ocorrendo”, disse.A senadora avaliou também que os parlamentares que buscam a reeleição serão pressionados a votar a favor da PEC. Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS) disse que não tinha visto ainda o relatório de Prates. “Não tenho ainda uma avaliação. Acho que a transição curta é complicada. Vamos ver como que vem”, disse.Entidades pedem adiamento da PEC a AlcolumbreÀ tarde, entidades que representam o setor produtivo se reuniram com Alcolumbre para tentar adiar a tramitação da PEC quando o texto chegar no Senado. A expectativa é que a comissão especial da Câmara que analisa a proposta vote o parecer de Leo Prates nesta quarta-feira, enquanto o plenário apreciaria a PEC na quinta-feira, 28.PublicidadeEstiveram com o presidente do Senado dirigentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).“Da maneira que foi feita, ela [PEC] está fora da realidade brasileira, foi feita de forma irresponsável e só baseada em bandeira política. Não ouviu o setor nenhum [...] Foi tratada pelo governo brasileiro como bandeira eleitoral, em véspera da eleição, assim como o imposto da chamada blusinhas”, disse o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em entrevista coletiva a jornalistas, após o encontro.Skaf afirmou que o tema foi tratado na Câmara “de forma irresponsável”. Ele também reclamou da falta de estudos técnicos sobre os impactos da medida e disse esperar que o Senado conduza a discussão “com serenidade” e “sem pressa”.O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, também criticou o período de transição de 14 meses previsto pelo projeto. “Qual é a empresa de pequeno, médio porte vai ter capacidade de melhorar seu rendimento, sua produtividade em 60 ou 90 dias? Nenhuma”, questionou Alban.PublicidadeNa CâmaraA comissão especial deve votar nesta quarta-feira o substitutivo de Prates sobre o texto do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), ao qual a PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) foi apensado. Um deputado governista, Hildo Rocha (MDB-MA), apresentou três destaques. Um deles busca suprimir o artigo que trata da transição da jornada para 40h em 14 meses.“A PEC original dava prazo de transição de 10 anos. O Relator Leo Prates traz em seu substitutivo um ano de transição. Eu sou contra qualquer tempo de transição. Eu defendo que as 40 horas entrem em vigor assim que for promulgada a emenda à Constituição”, afirmou durante a sessão da comissão realizada nesta segunda-feira, 25.4x3Na tarde desta terça-feira, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, na votação da PEC no plenário, o partido vai apresentar um destaque de preferência para votar a escala 4x3. “Porque nós somos a favor do trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família e não somos hipócritas e oportunistas como este governo”, afirmou.Publicidade“Nós queremos agora 4x3. O destaque de preferência será nosso do PL e estamos pedindo a todos que nos acompanhem nesta votação. E mais importante, nós não queremos que isso valha para depois da eleição. Nós queremos que seja imediatamente aplicado o 4x3 no Brasil, que aí o brasileiro vai saber o quanto este governo é incompetente, é ruim”, disse Sóstenes.