O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, afirmou que a PEC do fim da escala 6x1, apresentada na segunda-feira (26), tem impacto específico sobre a atuação dos aeronautas, categoria que engloba pilotos e comissários de bordo. O efeito, segundo indicou, pode recair sobre a aviação internacional e na malha aérea brasileira. “Como é uma carreira que envolve muitas questões técnicas e de segurança, temos jornadas de 13, 14 horas em voos internacionais. Ainda estamos analisando o que fazer, porque vai ter impacto muito sério, em um primeiro momento talvez na aviação internacional, mas também na malha aérea do Brasil. De fato, inviabiliza o exercício correto da profissão”, disse. A manifestação foi feita durante almoço promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), em Brasília, para discutir o aumento do combustível de aviação. Noman ressaltou que a jornada dos aeronautas possui um arcabouço regulatório próprio, estruturado para permitir a operação segura de rotas internacionais. “Questões trabalhistas são importantes, são direitos importantes, mas, no nosso caso, não podem se confundir com regras de segurança. Por isso temos uma lei específica e a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] está atualizando o regulamento para gerenciar o risco de fadiga, por questão de segurança. Então, sabendo da melhor intenção, do jeito que a regra foi colocada ela tem impacto tremendo na construção da malha aérea”, afirmou. Durante o evento, o presidente da Abear defendeu, com apoio de parlamentares presentes, que as especificidades técnicas da categoria sejam tratadas de forma separada para mitigar impactos ao setor aéreo e à segurança das operações. Segundo parlamentares, a questão pode ser tratada em um projeto de lei complementar. Estavam presentes os deputados Zé Neto (PT-BA) e Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Comissão de Minas e Energia. Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman — Foto: Karina Carvalho/ANAC