PEC entra na fase decisiva de tramitação no Congresso A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados discute propostas que tratam do fim da escala 6x1 — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 00:43 PEC da Escala 6x1 Aprovada na Câmara Avança para o Senado A PEC que extingue a escala 6x1 foi aprovada na Câmara e segue para o Senado, onde passará por dois turnos de votação. A proposta prevê a transição para a escala 5x2, com redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Apesar do progresso, enfrenta resistência de setores produtivos que buscam flexibilizações. O desafio agora é obter apoio suficiente no Senado para promulgação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A PEC que acaba com a escala 6x1 avançou mais uma etapa no Congresso nesta quarta-feira, após aprovação na Câmara dos Deputados. O texto segue agora para o Senado. Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição, o texto segue um rito mais rigoroso do que projetos de lei comuns. Será necessário dois turnos no plenário do Senado, depois de ser analisada em comissões da Casa. A exigência dos chamados “dois turnos” existe porque mudanças na Constituição precisam passar por uma dupla confirmação política dentro de cada Casa legislativa. A lógica é evitar alterações constitucionais aprovadas de maneira apressada ou por uma maioria circunstancial. Na prática, o primeiro turno funciona como a votação principal do mérito da proposta. Já o segundo turno serve como uma espécie de confirmação final daquele apoio político, obrigando deputados e senadores a reafirmarem seus votos antes que a mudança avance. Em ambas as votações, a PEC precisa atingir novamente o número mínimo de votos exigido pela Constituição. Entenda, passo a passo, o que acontece agora Após aprovação na Câmara, a PEC segue para o Senado: com os votos necessários nos dois turnos, a proposta foi enviada ao Senado. Antes de chegar ao plenário, o texto passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Senadores repetem o mesmo rito em dois turnos: no Senado, o processo recomeça. Primeiro ocorre uma votação principal sobre o mérito da proposta. Depois, os senadores realizam uma segunda votação de confirmação. Em cada turno, são necessários ao menos 49 votos favoráveis. Se o Senado mudar o texto, a PEC volta para a Câmara: caso os senadores alterem qualquer trecho do mérito da proposta, os deputados precisam analisar novamente as mudanças. A PEC só pode ser promulgada quando Câmara e Senado aprovarem exatamente a mesma versão. A proposta é promulgada e passa a valer: depois da aprovação final nas duas Casas, a PEC é promulgada pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado em sessão conjunta do Congresso. Diferentemente de projetos de lei comuns, propostas de emenda à Constituição não passam pela sanção do presidente da República e não podem ser vetadas pelo Planalto. O que prevê a PEC da escala 6x1 O relatório aprovado na comissão especial consolidou uma transição gradual para o fim da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos para descansar apenas um. Pelo texto aprovado, após um prazo inicial de 60 dias da promulgação: a escala 6x1 deixa de existir e os trabalhadores passam obrigatoriamente ao modelo 5x2 (dois dias de descanso semanal); ao menos uma das folgas deverá ocorrer preferencialmente aos domingos; a jornada semanal máxima cairia inicialmente de 44 para 42 horas; posteriormente, seria reduzida para 40 horas semanais sem redução salarial. Após 12 meses operando no regime de 42 horas (totalizando 14 meses desde a promulgação), a carga horária cai para o limite definitivo de 40 horas semanais, sem qualquer redução salarial. Resistência do setor produtivo Apesar do avanço na comissão especial, a proposta ainda enfrenta resistência de setores ligados ao comércio, indústria e serviços, que pressionam parlamentares por mecanismos de flexibilização e regras específicas para determinados segmentos econômicos. Nos bastidores, aliados do governo avaliam que o principal desafio agora será garantir uma margem confortável de votos no plenário da Câmara, considerado o teste político mais duro da proposta até aqui.