Para o tribunal, o caso ultrapassa a "esfera da dignidade sexual" e representa "violência de gênero e discriminação por identidade de gênero" Supremo Tribunal Militar — Foto: STM / Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 22:15 STM mantém condenação de suboficial da Marinha por assédio a cabo trans O Superior Tribunal Militar manteve a condenação de um suboficial da Marinha por assédio sexual contra uma cabo transexual, ocorrido em fevereiro de 2024. O tribunal considerou o caso como violência de gênero e discriminação por identidade de gênero. A defesa argumentou falta de testemunhas diretas, mas o tribunal destacou a precisão do relato da vítima. A sentença inclui um ano de detenção e medidas protetivas. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Superior Tribunal Militar manteve a condenação de um suboficial da Marinha do Brasil acusado de assédio sexual contra uma cabo transexual. O caso aconteceu em fevereiro de 2024 durante um curso de formação realizado em uma escola da força naval, no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada por unanimidade. O plenário da Corte negou o recurso apresentado pela defesa do militar, que havia sido condenado a uma sentença de uma ano de detenção. Também foram mantidas as medidas protetivas impostas durante a tramitação do processo, que impedem o suboficial de manter contato com a vítima, aproximar-se dela ou frequentar o quartel. O caso tramitou em segredo de justiça para preservar a imagem da vítima. Segundo o STM, o militar puxou a cabo pelo braço e disse em voz baixa palavras de cunho sexual. No julgamento, a defesa susentou que nenhuma testemunha presenciou diretamente a conversa entre acusado e vítima e que os depoimentos apenas reproduziam relatos indiretos. O ministro relator Péricles Aurélio Lima de Queiroz avaliou que a vítima descreveu “com precisão as circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução da conduta". Ele acrescentou que "reação imediata da cabo após o episódio reforçou a credibilidade da narrativa apresentada em juízo". "No voto, o magistrado observou que a militar procurou sua comandante logo após os fatos, ainda emocionalmente abalada, relatando o ocorrido de maneira compatível 'com quem efetivamente sofreu uma agressão de natureza sexual'", diz o STM, em nota. Para o tribunal, o caso ultrapassa a "esfera da dignidade sexual" e representa "violência de gênero e discriminação por identidade de gênero". “A conduta do apelante reforça a discriminação contra pessoas trans e contribui para a manutenção de ambiente hostil e inseguro para esses militares”, diz o voto do relator.