Um debate se instalou na Itália, em 1986, quando o McDonald’s anunciou a abertura de um restaurante na Piazza di Spagna, um dos lugares mais concorridos de Roma e cuja escada é ponto de encontro de romanos e turistas e foi cenário de diversos filmes. Uns elogiaram o investimento de um gigante global, outros se insurgiram. Alguns políticos tentaram impedir a abertura, vizinhos do estabelecimento ameaçaram entrar com ações judiciais, pessoas saíram às ruas para protestar.

Em março de 1986, quando o restaurante com 400 lugares abriu as portas, Carlo Petrini e um grupo de amigos do Piemonte resolveram protestar — ao seu modo. Trouxeram tigelas de penne com molho ao sugo. Carlin, como todo piemontês o chamava, diminutivo herdado do avô paterno, queria protestar, mas não gritando ou estendendo faixas. Achou que devia comer, distribuir e passar uma outra mensagem. Era a ideia de que comer é um ato político, de que a resposta ao hambúrguer industrializado não era a abstinência, mas o prazer com a comida artesanal.

O McDonald’s não fechou, mas ali começaram a ser fincadas as raízes do movimento internacional Slow Food, que só seria formalizado três anos depois, em um congresso em Paris, em 9 de dezembro de 1989.