A menos de cinco meses das eleições, dois dos principais pré-candidatos a presidente transformaram a reforma tributária sobre o consumo —aprovada em 2023 e que será implementada entre 2026 e 2032— em alvo preferencial de campanha.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta semana que, caso eleito, apresentará uma PEC para suspender por um ano a entrada em vigor do novo sistema, a fim de "rediscutir" o modelo e revisar exceções. Antes, em abril, chegou a sugerir revogação integral, alegando que a reforma "não simplificou nada". Já Ronaldo Caiado (PSD) foi ainda mais incisivo: disse que, se chegar ao Planalto, vai "parar essa reforma tributária na hora", criticando sobretudo o Comitê Gestor do IBS, que, em sua avaliação, transformaria governadores e prefeitos em dependentes de uma "mesada" decidida em Brasília.

Como pesquisador que vem acompanhando essa agenda há quase uma década, devo dizer, com franqueza: reverter ou adiar a reforma seria um dos piores erros de política econômica que o próximo governo poderia cometer.

Comecemos pelo dividendo macroeconômico. Há diversos estudos que buscaram estimar esses efeitos, como detalhei em artigo publicado no começo deste ano na Revista Conjuntura Econômica, do FGV Ibre.