O diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino Santos, afirmou nesta quinta-feira (21) que “não gosta de liquidar instituições financeiras”, apesar de a autoridade monetária ter adotado a medida em 13 vezes desde novembro de 2025. Durante participação no 5º Congresso de Regulação e Concorrência no Mercado Financeiro, promovido pela Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (Abipag), em Brasília, Aquino criticou a legislação de resolução bancária, a lei 6.024, de 1974, por limitar a atuação do BC. Aquino ressaltou que não é fácil conviver com as críticas acerca da estabilidade do sistema financeiro. Sem citar o caso do Banco Master, declarou que “o banqueiro quebra a instituição” e que cabe à autoridade monetária conter os danos do processo, acompanhar e aplicar as medidas para diminuir os impactos para a sociedade. O diretor disse que o Banco Central precisa “se socorrer” de uma lei “velha, da década de 1970”, para acabar liquidando um banco. “Toda liquidação passa um papel de incompetência do supervisor, de muita crítica da sociedade, mesmo que seja ter um sistema financeiro de R$ 18 trilhões e seja uma instituição [que represente] 0,5% [do sistema], da terceira divisão, cria uma comoção nacional”, disse. “A gente sempre precisa buscar o menor custo, dar direito para a instituição aumentar capital, procurar um novo controlador e ter saída organizada, mas, muitas vezes, você não consegue”, acrescentou. Aquino disse que o crescimento do número de novas instituições financeiras é um grande desafio para a supervisão e regulação do Banco Central. O diretormdisse que a área de supervisão do Banco Central tinha 1 mil servidores anteriormente e passou a ter 600 com a redução do quadro de funcionários ao longo dos anos. Ele disse que há possibilidade de 100 se aposentarem. Além disso, afirmou que o corpo técnico está envelhecido. A média de idade é de 52 anos, segundo o diretor. “A gente tem um momento muito propício. Acho que o mundo político entendeu que (...) a gente precisa avançar e entregar recursos para o regulador bancário”, disse. Aquino disse que a supervisão do Banco Central é baseada em dados. O diretor declarou que o uso de inteligência artificial possibilita que a autoridade monetária consiga cobrir todo o sistema financeiro. “O maior departamento de supervisão não é o departamento bancário e nem o não bancário, é o departamento de monitoramento”, disse. Ele também pediu uma “reflexão” sobre a lei 12.865 de 2013, que estabelece regras aos arranjos e às instituições de pagamento que integram o sistema financeiro. Ele defendeu uma atualização para que a legislação seja moderna e capaz de preparar a autoridade monetária para novos problemas no mercado. “A gente precisa refletir acerca da (lei) 12.865”, disse. Afirmou ainda que o Congresso Nacional e o Banco Central precisam avaliar o que está dando certo e errado. “Esse momento de estresse é um momento muito bom, porque a gente tem ‘cases’ à mesa (para avaliar)”, completou. Fachada da sede do Banco Master, em São Paulo — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Sem citar Master, diretor do BC diz que 'há comoção nacional' mesmo que banco liquidado seja da 'terceira divisão'
Ailto de Aquino Santos afirma que “o banqueiro quebra a instituição” e cabe à autoridade monetária conter os danos do processo, acompanhar e aplicar as medidas para diminuir os impactos para a sociedade













