O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, disse nesta quinta-feira (21) que o momento é propício para convencer o Congresso Nacional da necessidade de atualização da lei de resolução bancária, que dá os parâmetros para intervenção e liquidação extrajudicial de instituições financeiras.

Aquino não citou diretamente o Banco Master, que está em processo de liquidação pelo BC, mas citou instituições envolvidas na crise, como a Fictor e o Will Bank. Segundo ele, momentos de estresse são propícios para "uma reflexão de todos os atores".

Aquino participa de um painel no congresso da Abipag (Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos), em Brasília (DF). Ele disse ainda que toda liquidação de instituição financeira "passa papel de incompetência do supervisor" e gera muita crítica da sociedade, que vai questionar se faltou atuação do Banco Central.

"O problema", afirmou, "é o banqueiro que quebra as instituições. A gente simplesmente tenta conter o processo, acompanhar e aplicar as medidas. Também tentamos diminuir os impactos para a sociedade."

O projeto de lei complementar que cria um novo regime de resolução bancária está parado na Câmara dos Deputados. Ele chegou a andar neste ano, recebeu um relatório e foi pautado pelo deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, mas foi tirado de pauta depois que a bancada do PT apresentou um série de emendas para barrar os dispositivos que tratam de empréstimo e capitalização pela União.