O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, disse nesta quinta-feira (21) que o surgimento de novos modelos de negócios, com plataformas digitais, ativos virtuais e inteligência artificial (IA), exige constante atualização regulatória. Para Aquino, o BC precisou intensificar a necessidade de atenção à segurança cibernética depois do avanço dos novos modelos de negócios. “Estou aqui grifando a segurança cibernética, dado que eu, sempre digo, que é o maior pesadelo de um supervisor bancário hoje em dia, a proteção de dados, a prevenção de fraudes e a solidez das instituições”, declarou Aquino. “A maior especialização e fragmentação das cadeias operacionais com muitos intermediários, integração tecnológica e dependências de terceiros aumenta a complexidade do sistema e torna ainda mais relevante a gestão de risco ao longo de toda a cadeia”, completou. Aquino participou do 5º Congresso de Regulação e Concorrência no Mercado Financeiro, promovido pela Associação Brasileira de Instituições de Pagamentos (Abipag), em Brasília. Segundo Aquino, a relação entre regulação e concorrência no mercado financeiro é um dos principais desafios contemporâneos. O diretor destacou que o Banco Central defende um ambiente regulatório que preserve a estabilidade e ao mesmo tempo estimule a inovação e a competição. Afirmou também que o sistema financeiro teve profunda transformação nas últimas décadas com a ampliação da concorrência e crescente inclusão financeira. Aquino acrescentou que a agenda de regulação ocupa posição central no Banco Central, que “consolidou-se como referência” em infraestrutura de pagamentos. Citou o Pix e o Open Finance como modelos que ampliaram o acesso da população aos serviços financeiros, com redução de custos e estimulando a concorrência. “Milhões de brasileiros estão mais plenamente integrados aos temas financeiros, com acesso a meios de pagamentos digitais, créditos e serviços”, disse. “Esse movimento gera impacto direto na cidadania financeira e no desenvolvimento do mundo. Ao mesmo tempo, o avanço da inclusão traz consigo o desafio de assegurar o uso seguro, adequado e transparente desses serviços, com atenção especial à proteção dos usuários”, afirmou. Segundo o diretor, o Banco Central demonstra que é “possível avançar simultaneamente em inclusão, inovação e concorrência, sem abrir mão da estabilidade da segurança”. Aquino ressaltou que a concorrência é um veículo de transformação e que a entrada de novos participantes no sistema financeiro, especialmente de instituições de pagamento, ampliou significativamente a diversidade do modelo de negócios. De acordo com o diretor, a Resolução Conjunta número 14, de 2025, entre o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN), que se refere à apuração do limite mínimo de capital social e de patrimônio líquido das instituições, é uma “grande oportunidade” para toda a indústria no Brasil. "Penso que a colaboração entre autoridades é fundamental para assegurar que a evolução do mercado ocorra de forma saudável, eficiente e sustentável”, disse Aquino. Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central — Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Maior pesadelo de um supervisor bancário é proteção de dados, prevenção de fraudes e solidez das instituições, diz diretor do BC
Para Ailton de Aquino Santos, o BC precisou intensificar a necessidade de atenção à segurança cibernética depois do avanço dos novos modelos de negócios














