BC vai analisar todas as opções do BRB, mas não descarta o mesmo destino do MasterBanco de Brasília não vai divulgar balanço pelo segundo trimestre seguido. Crédito: EstadãoO Banco Central contornou todas as perguntas feitas sobre o BRB na coletiva de imprensa feita nesta segunda-feira, 25, para a divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira. O argumento legal é de que o BC não pode comentar casos específicos, mas que monitora diariamente a situação do BRB e das demais instituições financeiras do País.PUBLICIDADEEm fevereiro, o banco público havia dado o prazo até 29 de maio, próxima sexta-feira, para apresentar uma solução ao Banco Central sobre a sua crise patrimonial e a falta de divulgação de seu balanço. O BRB está sob efeitos da resolução 4019, uma espécie de “cartão amarelo” dado pelo BC, e vem pagando multa diária de R$ 50 mil por não abrir os seus números.O que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, afirmaram é que as conversas com o banco público têm sido contínuas, mas que não há um gatilho, data ou indicador específico que possa levar o BC a tomar qualquer tipo de medida extrema contra o BRB.O presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante entrevista coletiva após a divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) Foto: Wilton Junior/EstadãoO que já se sabe é que o BRB está com o seu índice de Basileia desenquadrado, ou seja, não tem patrimônio suficiente para amenizar o risco dos seus ativos. Esse é um indicador de prudência do sistema financeiro mundial, mas, questionado, a cúpula do BC afirmou que não há prazo ou limite legal para que qualquer banco solucione esse desenquadramento. O risco para o BRB, agora, é de que a crise patrimonial se transforme em uma crise de liquidez. Nesta segunda-feira, 25, como mostrou o Estadão, o governo do DF conseguiu fechar negócio com o BTG para captar R$ 1 bilhão em securitização de dívidas. Em paralelo, também recebeu R$ 1 bilhão de venda de ativos do Master em um negócio envolvendo a gestora Quadra Capital. PublicidadeOs números somados, contudo, não resolvem o buraco do BRB, porque houve a compra de R$ 12 bilhões em créditos podres, que depois foram trocados por outros ativos que ninguém sabe o quanto valem. É por isso que o BRB não divulga o seu balanço, para não ter de informar aos seus correntistas qual o tamanho do buraco do banco.Ainda que o BC não dê pistas, a situação do BRB permanece incerta. O banco precisa apresentar balanço e conseguir recursos do seu acionista para tapar um rombo bilionário. Sem isso, dificilmente terá capacidade de continuar operando.