Integrantes do partido apontam que estímulo fiscal piora situação das contas públicas e pressiona a inflação, no momento em que eleitores têm se preocupado com o custo de vida 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apoiadores reagem à chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao palco da Convenção Nacional Republicana de Meio de Mandato, em Dallas, no Texas, em 9 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci A promessa feita na noite de ontem pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de conceder um “dividendo” de US$ 5.000 a cada “cidadão americano adulto” caso os republicanos consigam manter a maioria na Câmara e no Senado, na eleição de 3 de novembro, foi recebida com certa frieza entre integrantes do partido, reporta a Reuters. Uma parte dos congressistas republicanos avalia, inclusive, que a promessa feita por Trump no discurso de abertura da convenção partidária, se cumprida, agravaria a situação fiscal do país e pressionaria a inflação. Na convenção em Dallas, Trump disse que o “dividendo” seria uma forma de celebrar “nossa tremenda força e sucesso econômico”. Se aprovado pelo Congresso americano, custaria cerca de US$ 1,2 trilhão. Em momento no qual os consumidores nos EUA têm se preocupado com o custo de vida, o estímulo fiscal teria efeito direto sobre a inflação no país, observam alguns congressistas republicanos. “Eu colocaria um ponto final nisso, de corpo e alma, porque traria mais dano do que vantagem para a classe trabalhadora”, disse o deputado republicano David Schweikert, do Arizona, que deixará a Câmara ao fim da atual legislatura. Segundo ele, a iniciativa contribuiria para manter os juros em nível alto no país, com efeito direto para os consumidores. Contudo, parte da bancada republicana apoiou de imediato a ideia apresentada por Trump na convenção partidária, de olho em iniciativas que possam energizar os eleitores na reta final da campanha para novembro. Em rede social, o senador Bernie Moreno, republicano do Ohio, disse que vai preparar um projeto de lei para formalizar a proposta do “dividendo Trump”. O debate ocorre no momento em que economistas de diferentes correntes políticas consideram que a trajetória fiscal dos EUA se tornou insustentável, com os maiores níveis de endividamento público do país desde a Segunda Guerra Mundial. Trump já prometeu, anteriormente, outras formas de “dividendo”, incluindo pagamentos derivados das receitas obtidas com tarifas comerciais e do programa de corte de gastos públicos — promessas jamais concretizadas. “Com Trump, nunca dá para saber se é algo retórico ou se realmente ele pretende fazer”, disse Stephen Moore, um economista conservador que, com alguma frequência, aconselha Trump e autoridades da Casa Branca. O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, disse em comunicado que “pessimistas e derrotistas têm reiterado dúvidas sobre o presidente Trump, que sempre prova que essas pessoas estão erradas”. “Com o contínuo apoio ao povo americano, o presidente Trump manterá a entrega de resultados reais”, acrescentou o porta-voz. Na convenção da noite de ontem, Trump disse que as eleições de novembro devem ser tratadas pelos republicanos como um referendo a seu governo. “Meu nome estará na cédula”, afirmou o presidente de forma metafórica.