Presidente americano, que ajudou republicanos a conquistar vitórias em 2016 e 2024 ao explorar insatisfações do eleitorado, tem enfrentado desgaste em temas como economia e Irã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca — Foto: Brendan SMIALOWSKI/AFP Diante de uma disputa difícil nas eleições de meio de mandato, que acontecerão em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se prepara para ampliar sua presença fora da Casa Branca em uma tentativa de mobilizar a base republicana e reconquistar eleitores insatisfeitos com a economia e a condução da guerra no Irã. Se o presidente americano ampliar suas viagens pelo país após a miniconvenção de dois dias em Dallas — que começa nesta quarta-feira e já é chamada de Trump-a-palooza —, isso será um teste para saber se ele ainda é capaz de se conectar às preocupações dos eleitores, algo que o ajudou a vencer as eleições presidenciais de 2016 e 2024. A capacidade de Trump de canalizar a insatisfação dos eleitores com o enfraquecimento da base industrial americana, com a falta de responsabilização após a crise fiscal de 2008 ou com o impacto das chamadas “guerras sem fim” no Oriente Médio depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro fez parte do que lhe permitiu ter sucesso político. Ele gostava da adulação que recebia nos comícios durante sua campanha de 2016, em particular, e voltou a se dedicar a eles na reta final da disputa de 2024, que começou contra o presidente Joe Biden e terminou com a vice-presidente Kamala Harris como candidata democrata. No início de 2025, porém, Trump deixou claro a vários assessores que não queria continuar realizando comícios. A parte de sua carreira política dedicada às campanhas havia terminado, sugeriu, enquanto voltava ao Salão Oval e trabalhava dia após dia para remodelá-lo em tons de dourado. Suas viagens domésticas em 2026 incluíram cerca de duas dezenas de eventos voltados estritamente para políticas públicas ou para alguma atividade na qual seu governo havia trabalhado. Algumas dessas viagens foram anexadas a visitas que ele fazia à Flórida ou a Sterling, na Virgínia, ou a Bedminster, em Nova Jersey, para estar em seus clubes privados e jogar golfe. Assim, Trump tem levado uma existência excepcionalmente isolada, com um grupo extremamente pequeno de assessores e autoridades ajudando-o a tomar decisões e um pequeno grupo de auxiliares fornecendo-lhe um fluxo constante de avaliações positivas. Esse ecossistema de informações tende a se sobrepor ao que o presidente absorve de pesquisas de opinião e grupos focais realizados por sua própria equipe — reações que mostram eleitores frustrados com a inflação persistente, com a alta dos preços da gasolina após uma guerra que ele ajudou a iniciar no Irã e com a desconfiança de alguns dos que votaram nele em relação à forma como lidou com a divulgação do material investigativo relacionado ao criminoso sexual Jeffrey Epstein. Desde o início deste ano, os assessores do presidente vêm prevendo uma agenda mais agressiva, que o levaria a viajar pelo país todas as semanas. Eles garantiram aos jornalistas que isso finalmente acontecerá depois desta semana. Quando Trump faz aparições fora da Casa Branca, seus discursos tendem a permanecer os mesmos, independentemente do evento ou do local. Ele critica a “imprensa falsa”, volta sua memória para a campanha de 2016 e fala sobre “farsas” que afirma terem sido armadas contra ele. O presidente dos Estados Unidos também parece estar apresentando um argumento semelhante ao usado por Joe Biden em 2024 sobre a economia — insistindo, essencialmente, que ela vai bem, embora os eleitores não sintam isso no dia a dia. Trump ridicularizou repetidamente a palavra “acessibilidade”, tratando-a como uma invenção dos democratas criada para atacá-lo. Essa postura de deboche esteve menos presente nas últimas duas semanas, à medida que a proximidade das eleições de meio de mandato parece ter chamado sua atenção. Ainda assim, republicanos demonstraram frustração porque Trump só começou a distribuir parte dos quase US$ 1 bilhão que afirma que seu comitê de ação política arrecadou para ajudá-los em suas disputas. Agora, o objetivo dos republicanos é vencer uma eleição em um ciclo no qual o presidente não lhes deu espaço para se distanciar dele e no qual eles esperam que Trump consiga mobilizar a base do partido para igualar a energia dos democratas, além de convencer os eleitores que só compareceram às urnas durante suas eleições presidenciais a votar novamente. Membros de seu gabinete devem comparecer em grande número à convenção e se espalhar por estados-chave do país nas próximas semanas. — O nome do jogo é participação — disse Natalie Baldassarre, porta-voz do Comitê Nacional Republicano. Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, descreveu Trump como “o líder inequívoco e o motivador incomparável do Partido Republicano, comprometido em manter as maiorias republicanas no Congresso”. Segundo ela, o presidente irá “estabelecer um forte contraste entre sua agenda de bom senso” e o que chamou de “democratas radicais” no Congresso. — Grande parte do cenário de 2026 está em estados e distritos onde Trump venceu. Isso significa que os candidatos provavelmente vão receber bem a presença de Trump na campanha enquanto trabalham para levar às urnas os eleitores de Trump de 2024 em uma eleição de meio de mandato — disse Jim Hobart, um pesquisador republicano da Public Opinion Strategies, citando estados como Iowa e Ohio, ambos vencidos por Trump por margens de dois dígitos. Liam Donovan, estrategista republicano e ex-assessor do Comitê Nacional Republicano Senatorial, afirmou que todos os candidatos do Partido Republicano estarão ligados a Trump e que tentar se afastar dele “favorece uma assimetria que só beneficia os democratas”. — O desafio para o Partido Republicano é capitalizar sua popularidade entre eleitores aos quais os candidatos não conseguiriam ter acesso de outra forma.
'Trump-a-palooza': Convenção republicana que começa hoje testa capacidade de Trump de canalizar preocupações de eleitores
Presidente americano, que ajudou republicanos a conquistar vitórias em 2016 e 2024 ao explorar insatisfações do eleitorado, tem enfrentado desgaste em temas como economia e Irã












