Partido aposta que demonstração de unidade partidária pode mobilizar eleitores e compensar a baixa popularidade do presidente americano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trump durante um evento em Washington — Foto: Will Oliver/EPA/Bloomberg O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Partido Republicano realizarão uma convenção nacional antes das eleições legislativas de meio de mandato em novembro, uma iniciativa incomum, em uma aposta de que uma demonstração de unidade partidária de grande visibilidade possa mobilizar os eleitores e ajudar a legenda a contrariar o histórico de perdas no pleito, apesar dos baixos índices de aprovação de Trump. Diferentemente das convenções partidárias tradicionais, realizadas em anos de eleição presidencial para oficializar candidaturas e aprovar plataformas do partido, o encontro — apelidado de “Trumpapalooza” — que começa nesta quarta-feira, em Dallas, não terá nenhuma deliberação formal. Trump começou a aventar a ideia no ano passado como forma de se colocar no centro das campanhas republicanas para as eleições de meio de mandato diante da preocupação de que o partido tenha um desempenho abaixo do esperado quando seu nome não está na cédula de votação. O encontro no American Airlines Center, que se estende até a quinta-feira, ocorre a menos de dois meses das eleições de 3 de novembro, que podem pôr fim ao controle republicano no Congresso e limitar os poderes de Trump nos dois últimos anos como presidente. Preocupação com a participação do público Trump começou a discutir a realização de uma convenção de meio de mandato há cerca de um ano e será a principal figura do evento, com discursos nos dois dias. O principal será realizado nesta quarta-feira, e as considerações finais no encerramento do encontro, amanhã. Após meses de manchetes negativas relacionadas ao aumento do custo de vida e à guerra com o Irã, e com a aprovação de Trump em 33%, o menor nível do segundo mandato, de acordo com a mais recente pesquisa Reuters/Ipsos, integrantes do partido disseram à Reuters temer que o Comitê Nacional Republicano (RNC, na sigla em inglês) tenha dificuldades para atrair filiados e ativistas ao evento. Muitos dos candidatos previstos entre os oradores disputam eleições apertadas, entre eles quatro envolvidos em importantes corridas para o Senado e pelo menos dez em disputas acirradas pela Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, reconheceu em entrevista coletiva na semana passada que muitos parlamentares do partido permanecerão em seus distritos e não comparecerão. “É um momento crítico, logo antes do início da votação antecipada em todo o país”, disse. Os organizadores, porém, afirmam estar confiantes de que a arena ficará lotada. Riscos e benefícios Alguns estrategistas republicanos alertam que a convenção pode ter efeito contrário, diante da impopularidade de Trump e do fato de ele ter dito repetidamente aos americanos que suportem os custos econômicos da guerra com o Irã, argumentando que vale a pena pagar mais caro pela gasolina para impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear. Dirigentes partidários dizem que a convenção oferece uma oportunidade para voltar a atenção dos eleitores aos cortes de impostos promovidos por Trump, aos esforços para reforçar a fronteira sul com o México, à produção industrial doméstica e à agenda “Make America Healthy Again”, que inclui medidas para reduzir os preços de medicamentos. Organizadores da convenção e diversos integrantes do partido também veem o evento como a melhor oportunidade de mobilizar o eleitorado republicano, cujo entusiasmo está abaixo do registrado entre os democratas, segundo pesquisas de opinião. É comum que o partido no poder sofra perdas significativas nas eleições de meio de mandato dois anos após o início de um governo. Trump e outros oradores devem explorar uma série de vitórias de candidatos de esquerda e socialistas democráticos nas primárias do Partido Democrata para retratar a oposição como radical e distante das preocupações das famílias trabalhadoras. Trump chamou repetidamente e de forma falsa os democratas de “comunistas” neste ano, uma das principais linhas de ataque adotadas às vésperas da convenção. Kendall Witmer, porta-voz do Comitê Nacional Democrata, disse que a convenção é uma distração diante das preocupações dos eleitores com os preços elevados. Como será o evento? Além de Trump, a participação do vice-presidente J.D. Vance será acompanhada de perto à medida que os republicanos começam a olhar para a disputa presidencial de 2028, na qual ele é amplamente visto como um dos principais possíveis candidatos. Vance discursará pouco antes das considerações finais de Trump na quinta-feira. Os organizadores dizem esperar cerca de 30 mil participantes ao longo dos dois dias de convenção, financiada por doadores republicanos e com custo superior a US$ 40 milhões. O Comitê Nacional Republicano afirma que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert Kennedy Jr., e o procurador-geral Todd Blanche estarão entre os oradores. Os organizadores dizem que cada noite destacará candidatos republicanos em disputas importantes pelo Congresso em diferentes partes do país, além de “americanos comuns” que afirmam ter sido beneficiados pelas políticas de Trump. O evento abordará temas como comércio e segurança pública, e candidatos republicanos buscarão contrastar suas propostas com o que classificam como “posições extremas” dos democratas. Na quinta-feira, véspera do 25º aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, os organizadores planejam uma homenagem com familiares de integrantes dos serviços de emergência. Na última noite, jovens republicanos marcarão o primeiro aniversário da morte do ativista conservador Charlie Kirk, de 31 anos, baleado e morto em um campus universitário em Utah.
Entenda a ‘Trumpapalooza’, a inédita convenção dos republicanos para as eleições legislativas de novembro
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