Membros do partido veem o encontro como sua melhor oportunidade para promover candidatos e marcar diferenças em relação aos democratas em temas como custo de vida, imigração e saúde 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de um evento da Steel Across America com uma viga de aço de 21 pés (6,4 metros) recuperada da Torre Sul do World Trade Center, no Ellipse, perto da Casa Branca, em Washington, D.C., em 8 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci Os republicanos darão início nesta quarta-feira, em Dallas, à sua primeira convenção de meio de mandato, apostando que o presidente Donald Trump poderá mobilizar seus principais apoiadores e ajudar o partido a manter suas maiorias no Congresso, apesar de pesquisas mostrarem que ele é amplamente impopular. O encontro de dois dias de líderes e ativistas republicanos ressaltará até que ponto o partido está vinculando seu desempenho eleitoral a Trump e servirá como vitrine para sua estratégia para as eleições de meio de mandato de 3 de novembro. O evento está tão centrado em Trump que o presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC), Joe Gruters, o apelidou informalmente de “Trumpapalooza”, em referência ao popular festival de música Lollapalooza. Muitos republicanos que disputam eleições competitivas para a Câmara dos Deputados e o Senado, no entanto, não participarão da convenção, ressaltando preocupações dentro do partido de que o apelo de Trump entre seus apoiadores mais fiéis talvez não seja suficiente para superar a insatisfação mais ampla dos eleitores com a inflação e a guerra contra o Irã. Há muito em jogo. A menos de dois meses das eleições, os republicanos enfrentam a perspectiva de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso, enquanto pesquisas de opinião mostram os democratas mais motivados a votar. “Muita gente está alimentando a narrativa de que as coisas estão piores do que nunca”, disse Sergio Arellano, presidente do Partido Republicano do Arizona, em entrevista. “É importante que voltemos a nos conectar, nos renovar e recuperar a energia.” Sem assuntos oficiais do partido na pauta, o encontro está tomando a forma de um comício de campanha de Trump mais do que de uma convenção partidária tradicional, realizada a cada quatro anos antes de uma eleição presidencial. Trump fará o principal discurso na noite de quarta-feira e voltará ao palco após o vice-presidente J.D. Vance na quinta-feira para encerrar o evento. O porta-voz do RNC, Rick Gorka, disse que o partido espera lotar os 20 mil lugares do American Airlines Center com autoridades, doadores, ativistas e integrantes do público, depois de abrir o evento ao público por meio de um sorteio de ingressos gratuitos. Os organizadores adotaram a medida incomum em meio a preocupações manifestadas em privado por alguns integrantes do partido de que o público poderia ficar abaixo das expectativas. A programação de palestrantes do RNC mostra que pelo menos 16 candidatos envolvidos em disputas competitivas para a Câmara e o Senado discursarão. Entre os que não participarão estão o deputado Tom Barrett, de Michigan, e a senadora Susan Collins, do Maine. Matthew Wilson, professor de ciência política da Southern Methodist University, disse que alguns candidatos podem temer que a convenção “seja mais uma celebração de Trump” do que um esforço para impulsionar candidatos republicanos à Câmara e ao Senado. “Trump sempre se importou mais com a marca Trump do que com o Partido Republicano”, disse Wilson. “Acho que é por isso que há certa cautela, do ponto de vista deles, em marcar presença de forma visível neste evento.” A crítica ecoa uma reclamação mais ampla dos adversários de Trump, que dizem que ele passou grande parte do verão reforçando seu legado por meio de projetos de construção em Washington, em vez de tratar das preocupações dos americanos com o aumento do custo de vida. Interior do American Airlines Center durante os preparativos finais para a Convenção Nacional Republicana de Meio de Mandato, em Dallas, no Texas, Estados Unidos, em 8 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Brian Snyder Uma chance de mobilizar a base A convenção enfrentará forte concorrência pela audiência com o início da temporada da NFL. A noite de abertura coincidirá com uma reedição do Super Bowl entre New England Patriots e Seattle Seahawks, enquanto a programação de quinta-feira ocorrerá ao mesmo tempo que uma partida entre San Francisco 49ers e Los Angeles Rams. Ainda assim, após meses de manchetes negativas sobre a guerra contra o Irã e a inflação, muitos republicanos veem o encontro como sua melhor oportunidade para promover candidatos, marcar diferenças em relação aos democratas em temas como custo de vida, imigração e saúde e mobilizar um eleitorado republicano que demonstra menos entusiasmo em votar do que os democratas, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos. Entre os integrantes do governo Trump que discursarão no encontro está o secretário do Tesouro, Scott Bessent, cujos comentários provavelmente serão acompanhados de perto em meio às preocupações com o aumento da dívida dos Estados Unidos e o elevado custo de vida. Uma ausência notável na lista publicada de palestrantes é a do líder da maioria no Senado, John Thune, que entrou em conflito publicamente com Trump devido ao fracasso do Senado em fazer avançar o SAVE America Act, projeto de lei que impõe restrições ao voto e é defendido pelo presidente. Thune, no entanto, estará na convenção e se reunirá com doadores e candidatos, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. De acordo com o esboço da programação, os palestrantes apresentarão os democratas como excessivamente à esquerda e destacarão o histórico de Trump na política interna, incluindo os esforços do governo para restringir a imigração e reduzir os preços dos medicamentos, além de um pacote tributário e de gastos de 2025 que eliminou impostos sobre gorjetas e benefícios da Previdência Social. Interior do American Airlines Center durante os preparativos finais para a Convenção Nacional Republicana de Meio de Mandato, em Dallas, no Texas, Estados Unidos, em 8 de setembro de 2026 — Foto: REUTERS/Brian Snyder O líder da minoria na Câmara dos Deputados, Hakeem Jeffries, enviará quatro parlamentares democratas a Dallas como parte dos esforços do partido para fazer uma contraposição à programação republicana. “Os americanos estão se afogando na economia fracassada dos republicanos”, disse Jeffries em comunicado. “Em vez de dar um único passo para reduzir os custos, extremistas do movimento “Make America Great Again” (Maga) estão festejando com seus doadores super-ricos em Dallas.” Ao realizar o evento no Texas, os republicanos também chamam atenção para uma das disputas de maior destaque das eleições de meio de mandato: a corrida ao Senado dos Estados Unidos entre o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, e o deputado estadual democrata James Talarico.
Republicanos fazem convenção inédita e apostam em Trump para manter controle do Congresso
Membros do partido veem o encontro como sua melhor oportunidade para promover candidatos e marcar diferenças em relação aos democratas em temas como custo de vida, imigração e saúde













